quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A Belíssima Cor Púrpura




O próximo fim de semana é a última oportunidade para os cariocas conferirem o espetáculo A Cor Púrpura, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Depois, o musical vai para São Paulo e Salvador, nessa ordem. Eu pude conferir a peça de três horas de duração há algumas semanas e, posso garantir que o tempo passa voando e que até o deslocamento para a tão tão distante Barra vale a pena. 

É importante eu ressaltar que nunca vi o clássico filme de Steven Spielberg, estrelado por Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey. Tampouco li o livro que originou tudo. Fui ao teatro (aliás, belíssima sala essa feita na Cidade das Artes!) sem saber praticamente NADA da história, a não quer que era muito emocionante e triste. E, realmente, em vários momentos caíram ciscos no meu olho durante as três horas.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Todo Amor Que Houver Nessa Vida




Queria começar a coluna de hoje com um pedido de desculpas. Desculpas aos leitores e ao nosso editor chefe pela não entrega do meu texto na semana passada. Desculpas aos meus seguidores do blog no Instagram, pelo meu sumiço. Desculpas a alguns que conviveram comigo por um breve período de introspecção, já que essa não é uma característica comportamental minha. Talvez para muitos (ou poucos), este pedido de desculpas seja bobo e sem sentido. Afinal, talvez a minha coluna não seja a mais lida daqui, ou o meu número de seguidores, como pretenso digital inlfluencer, não seja tão grande a ponto de representar esse preâmbulo. Ou, para quem convive comigo, meu comportamento não tenha sido tão exagerado assim, no sentido de me calar ou pouco me socializar. 

O fato é que respeito é algo que levo na minha vida com muita seriedade. A vida me ensinou o peso desta expressão. Minha família fortaleceu sua importância. E minha vida profissional, em todas as frentes em que trabalho, vem perpetuando esse comportamento em mim. E é em nome deste respeito, as minhas desculpas. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Fleabag: Pare Tudo e Apenas Assista!





Para quem já assistiu às duas excepcionais temporadas de Fleabag, disponíveis na Amazon Prime, eu sei, parece que eu estou atrasado. A série estreou na Inglaterra em julho de 2016 e, de lá pra cá, vem sendo elogiada por todo mundo que a assiste. Mas eu confesso: só decidi acompanhar a história depois que ela ganhou seis prêmios no último Emmy e, de uma hora pra outra, passou a ser uma das produções mais comentadas dos últimos tempos.

E isso aconteceu porque eu tenho lá meus problemas com comédias. Normalmente não acho muita graça do riso forçado ou de situações bobas em filmes ou séries de televisão. Até Friends, que todo mundo ama, eu acho bem mais ou menos - é engraçadinho, ok, mas só. Então, quando vi que Fleabag tratava-se de uma comédia, eu broxei um pouquinho. Tem tanta coisa que eu quero assistir, por que perder meu tempo com uma """comédia"""? E bota aspas nessa comédia, porque definir Fleabag assim acaba sendo um erro.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Novos Tempos





Essa semana, o assunto sobre o bullying de MC Gui rendeu. Rendeu ainda muito mais porque as pessoas confundiram o tal Gui com o MC Guimê e o MC Biel, tal qual eu confundo Marília Mendonça e Naiara Azevedo e as duplas Maiara & Maraísa e Simone & Simaria. Não adianta, nunca saberei quem é quem. 

O tal vídeo do MC Gui viralizou. Nele, aparece zombando de uma menininha em um transporte na Disney, em Orlando, onde o cantor passa férias. Houve a especulação de que a garota, visivelmente constrangida, teria câncer, pois estaria usando uma peruca. Os internautas então não perdoaram o rapaz, minutos depois que o storie foi postado. Com a repercussão, o MC apagou a gravação, mas o estrago já havia sido feito.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Sobre Aprendizados e Regressos




Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar com os meus leitores pela minha ausência. Muito embora eu tenha recebido reclamação apenas de alguns poucos, ainda que fosse um, valeria o pedido de perdão. Afastei-me do Barba Feita por mais de um mês, algo que nunca fiz. Mas foi um período (e continua sendo) da minha vida em que a minha ausência se fez necessária – na verdade, me afastar de uma série de coisas se fez necessário. 

Ainda não sei do meu futuro por essas bandas. Por enquanto, vou tentando retomar ao ritmo diário. Em respeito a quem lê e aos meus colegas de jornada, que param momentos do seu dia para escrever nem que seja algumas linhas. Estamos num momento muito especial do Barba Feita, completando cinco anos e prestes a lançar o nosso livro conjunto. Vamos tocando o barco.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Instinto (ou Como Afiar os Dentes Com a Língua)




O vampiro da lambida áspera (a) atacou novamente, segurou pela cintura com as garras retraídas, subiu-lhe pela lateral da barriga sentindo-a com as papilas em direção às tetas já rijas. Arrancou-lhe o ar ao passar a mão por entre as coxas morenas. Devolveu-lhe o sangue às bochechas ao roçá-las com a barba por fazer. Não era mais possível saber de quem era o suor que impregnava a pele de ambos. Procurou pelo pescoço ao mesmo tempo que a prendeu com o abraço forte que precedia o ataque final. Fincou-lhe as presas com força, sorvendo o licor úmido que ansiava. Extasiou-se com o pulsar dos corpos. E, então, do deleite veio o cansaço momentâneo. 

E os corpos permaneceram largados na cama por bons minutos, dando tempo aos líquidos de secarem. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Os Anjos





Lembro-me bem de ser um aluno um tanto quanto problemático.  Era muito tímido e, nas poucas fotos que ainda possuo, percebo que não gostava de sorrir.  O semblante era sempre triste e cabisbaixo, meio emburrado.  Chorava escondido, tinha medo de me relacionar com os demais e me sentia diferente por não conseguir acompanhar as aulas. 

No primeiro ano do ensino fundamental, encontrei meu primeiro anjo:  a professora que me alfabetizou descobriu o motivo de ser sempre o atrasado nas tarefas e precisar ficar até depois da aula para conseguir copiar para o caderno tudo o que era escrito no quadro-negro.  Ela identificou que eu tinha um problema de visão e, por isso, não conseguia enxergar o que era escrito, mesmo a uma distância considerável.    

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Sobre Vilões e Vilanias...





Eu, como ator (e leonino), sempre tive vontade de interpretar um protagonista. Nestes módicos cinco anos de carreira no teatro, não tive ainda a oportunidade – ou competência – para assumir tamanho desafio. Confesso que essa vontade tem muito mais a ver com a presença constante nos palcos (me dá um nó na garganta quando tenho que sair de cena), do que com o fascínio, em si, pela personagem que se torna o fio condutor das histórias. 

Mas paixão, tesão mesmo, eu sinto pelos vilões.... Existe coisa mais exorcizante do que você colocar para fora todos os sentimentos mais anti-heróis vestindo-se de uma personagem? Já tinha o esboço deste texto preparado, até que esta semana, no nosso grupo do WhatsApp, os meninos levantaram a bola sobre o fascínio que os vilões exercem na vida da maioria das pessoas. Desengavetei o texto e coloquei pra rolo na coluna de hoje. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A Luz no Fim do Mundo





Primeira incursão de Casey Affleck na direção, A Luz no Fim do Mundo (Light of My Life, no original) chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta, 17/10, e é uma experiência angustiante. Centrado na relação de um pai e sua filha pré-adolescente em um mundo pós-apocalíptico, o drama comove, com uma história intrigante e envolvente.

Além de dirigir, Casey Affleck estrela (e também escreveu) a produção ao lado da impressionante Anna Pniowsky, que vive a sua filha na história. No mundo retratado na tela, um vírus misterioso dizimou praticamente toda a população feminina do planeta, com apenas poucas mulheres sobrevivendo e tornando-se imunes. E, em um mundo sem mulheres, os homens viraram verdadeiros animais e, para proteger sua filha, o personagem de Affleck tornou-se um homem metódico, que vive em paranóia e com mil regras de conduta para com a jovem, que ele tenta mostrar aos demais como sendo um menino. Até que a puberdade e o desejo de mais liberdade da jovem Rag coloca em risco o modo de vida de pai e filha.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Rindo Por Fora, Chorando Por Dentro





Essa semana tivemos uma overdose de textos do Barba Feita sobre o novo filme Coringa (Joker, no original) de Todd Phillips, brilhantemente interpretado por Joaquin Phoenix.  Tanto o Julio Britto quando o Silvestre Mendes já falaram sobre o filme aqui e, vim para complementar, tentando não dar spoilers para quem ainda não o assistiu.

Pra começar, gostaria de fazer, antes, um prólogo.  Todos devem se lembrar daquela máscara que todo mundo usava nos protestos de 2015 e 2016, baseada na HQ e filme V de Vingança, que contava a história de Guy Fawkes, uma figura misteriosa que organizou um plano para explodir o Parlamento inglês.  A obra foi escrita por Alan Moore e finalizada em 1988, ainda sob o governo da Dama de Ferro, Margaret Thatcher e influenciada pela Guerra Fria.   Apesar de usarem nos protestos, muita gente não sabia que aquela máscara retratava um terrorista, um anti-herói.  Sem querer, aquela figura acabou se tornando um emblema do ativismo moderno.  Tanto no filme, como na HQ, todos torcíamos pelo terrorista.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O Coringa de Todos Nós





Finalmente assisti o tão aguardado e comentado filme Coringa. Com a proposta de ser um filme de origem, Joker, título original, narra todas as nuances que compõem o controverso vilão do universo dos filmes do Batman. 

Desde Batman Begins, filmes de heróis ganharam uma outra camada. A aura de fantasia continua, mas existe um pé na realidade. Se não nas grandes armaduras dos personagens, nas motivações psicológicas de cada um. Ou seja, os heróis ficaram mais humanos, mais próximos dos dilemas que enfrentamos em nossas vidas.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Somos Todos Palhaços




No último fim de semana fui assistir Coringa, o filme de Todd Phillips, que conta a história de origem para o eterno vilão do Batman, trazendo o ator Joaquin Phoenix (fa-bu-lo-so!) em uma nova encarnação do Palhaço do Crime, ignorando qualquer cronologia ou versão do personagem. O longa vislumbra, sob um contexto político, uma Gotham City diferente daquelas retratadas nas franquias de Batman. Vemos diversas cenas em que manifestantes usam máscaras de palhaço sinistras, e até manchetes de jornais com os dizeres “somos todos palhaços” enquanto travam confrontos violentos com a polícia de Gotham. Mas não pensem que meu objetivo aqui é dar um spoiler do filme. A intenção é convidá-lo a assistir e refletir. 

A obra me tirava da zona consciente de telespectador a todo momento quando, por vezes, me pegava pensando em como o mundo está doente. Gothan City poderia ser perfeitamente um retrato do Brasil atual. Mas é também dos Estados Unidos e de tantos outros países cada vez mais afundados numa cegueira ideológica que mascara os sentimentos mais impuros do ser humano. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

The Politician: Todo o Cinismo e Ironia da Nova Série da Netflix





Quem já conhece o estilo de Ryan Murphy vai se deliciar com The Politician, nova produção original com o selo Netflix, há pouco mais de uma semana disponível no catálogo do serviço de streaming. O showrunner é conhecido por carregar nas tintas da ironia em suas obras, muitas vezes beirando o exagero. E o sucesso de muitas de suas produções se deve exatamente a isso e basta citar os nomes Popular, Nip/Tuck, Glee, Screem Queens ou American Horror Story para situar o leitor de quem estou falando. 

Primeira empreitada de Ryan Murphy dentro de seu contrato milionário com a Netflix (foram 300 milhões de dólares investidos no showrunner), The Politician é exatamente o que se espera de uma série com a assinatura de Murphy: cínica, irônica, divertida, mas, por vezes, cansativa. Entretanto, com a genialidade de alguns momentos, principalmente em seu episódio final, a série mostra que vale a investida e a atenção despertada.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Onomatopeias





Há algumas semanas, publiquei na coluna um texto sobre a polêmica envolvendo aquele beijo dos super-heróis que causou um rebuliço na Bienal do Livro, quando agentes da secretaria de ordem pública da prefeitura do Rio recolheram exemplares que pudessem manchar a reputação das famílias. Como tinha explicado, tudo fazia parte de um movimento arquitetado visando as eleições do ano que vem, pois já estão criando material de campanha para dar continuidade ao discurso conservador que assola o país.

Depois que a coluna foi publicada, fiquei pensando nas antigas HQ´s que eu colecionava quando criança, com as historinhas da Turma da Mônica, almanaques do Tio Patinhas e Luluzinha e minha fascinação por todo aquele ambiente lúdico, como a Casa da Árvore do Bolinha, símbolo maior da independência na mente infantil. No início dos anos 70, aprendi a ler por causa dos balõezinhos das HQ´s e me comunicar por gestos baseados em onomatopeias. Até hoje sou assim... quando quero narrar uma briga com tiros, porradas, bombas, socos e pontapés, produzo os sons com os pows!, socs!, buuums e póins!. As onomatopeias acompanham minha vida.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Culpa é Sua e da Sua Lista de Desejos




Sei que ainda é cedo para conferir uma daquelas listas de final de ano e ver o que fiz, deixei de fazer e o que devo planejar para o futuro. É cedo, mas também é bem tarde. Não que você não possa entrar na academia, iniciar seu curso de idiomas, planejar sua viagem e nem começar seu canal no Youtube. Isso é possível de ser feito em qualquer altura do ano. Mas, quando estabelecemos metas, precisamos pensar em prazos e resultados. Acho que esse é o problema da lista de desejos. 

Quando a gente deseja algo, não fica estipulando quanto tempo vai demorar para determinada coisa acontecer. Não estabelecemos em quantas semanas, dias, meses ou anos um desejo vai se tornar realidade. Afinal, desejos são sonhos. E os sonhos são tidos como... Sonhos. Ou, como diria Lulu Santos em sua música:
"É uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer..."
Às vezes, eu sinto que a gente - no caso eu e você que me lê nesse momento - criamos essa barreira entre o que a gente quer de fato e deseja ter/conquistar e o que vamos alimentando como só mais um simples desejo, algo que nos ajuda a continuar vivendo e encarando esses dias sofridos. De luta, esperando pelo momento da glória, enfim, chegar.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Crônica de Mais uma Segunda-Feira...





Toda noite de domingo traz com ela, além da depressão habitual e do som de uma TV ligada, uma segunda-feira inevitável. Mas ontem foi diferente. Domingo foi dia de Rock in Rio, bebê. E eu estava lá. Participando da minha quinta edição do festival. Mas depois da festa, no voltar para casa, me lembrei que ontem seria segunda...

O relógio despertou, eu não. Em cima da hora me vi na rua arrumado e estressado junto de todas aquelas pessoas apressadas. Tinha uma sensação de cansaço misturada à um calor nas vísceras típico dos dias em que durmo mal. Afinal, fui adormecer às três da manhã para estar às seis de pé. 

O táxi custa a cruzar a esquina em minha direção, me fazendo pensar que aquela seria a pior segunda-feira da minha vida. Cansado, estressado, atrasado. Não me consola o fato de não ser somente eu o atrasildo do dia. O estresse das manhãs de segunda afeta a todos, aparente nas pernas agitadas e olhares impacientes, numa daquelas ruas do Jardim Botânico ou do Centro, já não faz diferença. A irritação do início de mais uma semana é sempre a mesma, alheia ao endereço. Mas, ontem era uma segunda-feira diferente...