segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A Luz no Fim do Mundo





Primeira incursão de Casey Affleck na direção, A Luz no Fim do Mundo (Light of My Life, no original) chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta, 17/10, e é uma experiência angustiante. Centrado na relação de um pai e sua filha pré-adolescente em um mundo pós-apocalíptico, o drama comove, com uma história intrigante e envolvente.

Além de dirigir, Casey Affleck estrela (e também escreveu) a produção ao lado da impressionante Anna Pniowsky, que vive a sua filha na história. No mundo retratado na tela, um vírus misterioso dizimou praticamente toda a população feminina do planeta, com apenas poucas mulheres sobrevivendo e tornando-se imunes. E, em um mundo sem mulheres, os homens viraram verdadeiros animais e, para proteger sua filha, o personagem de Affleck tornou-se um homem metódico, que vive em paranóia e com mil regras de conduta para com a jovem, que ele tenta mostrar aos demais como sendo um menino. Até que a puberdade e o desejo de mais liberdade da jovem Rag coloca em risco o modo de vida de pai e filha.

Para quem, durante muito tempo, foi visto apenas como o irmão mais novo de Ben Affleck, Casey Affleck é um exemplo de sucesso em Hollywood. Depois de uma série de bons papeis no cinema e de levar um Oscar por seu desempenho no papel principal de Manchester à Beira-Mar, em 2017, aqui Casey se arrisca como roteirista, diretor e ator principal de um longa distópico, totalmente calcado em seus dois protagonistas, recheado de silêncios ou diálogos de qualidade acima da média, com uma direção segura e uma fotografia impressionante. A Luz no Fim do Mundo, como um todo, funciona bem, muito disso ancorado no desempenho de Casey e Anna, que nunca permitem que a tensão diminua um nível sequer e nos deixa em permanente estado de alerta nas cadeiras do cinema enquanto vemos aquela história se desenrolar.

Os atores, aliás, já são apontados como possíveis indicados para a temporada de premiações, principalmente a jovem Anna Pniowsky. Sua Rag é uma menina entrando na adolescência e que, por viver em um mundo atípico e sem mulheres, não conhece seu lugar ao mundo. Sua intempestividade, inclusive, é o motor da história, já que seu comportamento impulsiona a trama para seguir em frente através das deciões de seu pai, que nos tensionam ao imaginar que qualquer coisa possa acontecer, até o desfecho do filme.

Sem um final óbvio ou fechadinho, o êxito de A Luz no Fim do Mundo está em sua execução precisa, que prende o espectador desde o início (em uma sequência inicial longa e arrebatadora - e, pasmem, trata-se apenas de um pai contando uma história para sua filha), aumentando gradativamente a tensão da narrativa até o seu final tenso e cheio de possibilidades. Que nós, cada um à sua maneira, terá de completar com a própria imaginação...

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Delgadino disse...

Esse filme é realmente maravilhoso.Imaginem um mundo quase sem seres com cromossomo sexual XX. E os XY soltos na barbárie. Envolvente e ao mesmo tempo assustador.