terça-feira, 1 de outubro de 2019

Crônica de Mais uma Segunda-Feira...





Toda noite de domingo traz com ela, além da depressão habitual e do som de uma TV ligada, uma segunda-feira inevitável. Mas ontem foi diferente. Domingo foi dia de Rock in Rio, bebê. E eu estava lá. Participando da minha quinta edição do festival. Mas depois da festa, no voltar para casa, me lembrei que ontem seria segunda...

O relógio despertou, eu não. Em cima da hora me vi na rua arrumado e estressado junto de todas aquelas pessoas apressadas. Tinha uma sensação de cansaço misturada à um calor nas vísceras típico dos dias em que durmo mal. Afinal, fui adormecer às três da manhã para estar às seis de pé. 

O táxi custa a cruzar a esquina em minha direção, me fazendo pensar que aquela seria a pior segunda-feira da minha vida. Cansado, estressado, atrasado. Não me consola o fato de não ser somente eu o atrasildo do dia. O estresse das manhãs de segunda afeta a todos, aparente nas pernas agitadas e olhares impacientes, numa daquelas ruas do Jardim Botânico ou do Centro, já não faz diferença. A irritação do início de mais uma semana é sempre a mesma, alheia ao endereço. Mas, ontem era uma segunda-feira diferente...

A chuva que se anunciava nas pesadas nuvens acima de mim, gota à gota transbordava meu mau-humor. As mesmas nuvens que fizeram cair gotas de chuvas incessantes sobre a minha cabeça ao andar pela Cidade do Rock em busca de abrigo, de um outro brinde ou de mais um show. Essas mesmas nuvens, que parecem não querer ir embora, fizeram também uma revoada de pombos fugir da praça e buscar acolhida na marquise ao meu lado. Olhei para eles, e no alto de meu transe, me materializei nos pombos como se eles estivessem fazendo o mesmo que fiz na noite anterior. Neste momento, desperto meu pensamento vendo meu táxi surgir na esquina. Me lembrei, no conforto do banco de trás do carro, que não, não era meu inferno astral como havia pensado ao acordar cansado e indisposto. Era apenas o atraso de uma noite mal dormida de um fim de semana intenso, como tantos outros que passo na vida.

Na verdade, era apenas mais uma segunda de tantas outras que já vivi (graças a Deus!). As segundas são cíclicas. Toda segunda, uma expectativa se estabelece e um prazo se esgota. Toda segunda é meio lembrança, meio começo, meio cansaço, meio maçante, meio preguiça, meio esperança. E nessa minha segunda, vivi a lembrança de mais um fim de semana maravilhoso, um começo de novas expectativas, cansado de tanto pular (pois a idade já pesa no corpo), maçante por não conseguir me concentrar, preguiça de escrever mais uma coluna e esperança de que a semana passe rápido para reiniciar mais um fim de semana cheio de coisas para se fazer e ter mais histórias para contar...

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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