segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Fleabag: Pare Tudo e Apenas Assista!





Para quem já assistiu às duas excepcionais temporadas de Fleabag, disponíveis na Amazon Prime, eu sei, parece que eu estou atrasado. A série estreou na Inglaterra em julho de 2016 e, de lá pra cá, vem sendo elogiada por todo mundo que a assiste. Mas eu confesso: só decidi acompanhar a história depois que ela ganhou seis prêmios no último Emmy e, de uma hora pra outra, passou a ser uma das produções mais comentadas dos últimos tempos.

E isso aconteceu porque eu tenho lá meus problemas com comédias. Normalmente não acho muita graça do riso forçado ou de situações bobas em filmes ou séries de televisão. Até Friends, que todo mundo ama, eu acho bem mais ou menos - é engraçadinho, ok, mas só. Então, quando vi que Fleabag tratava-se de uma comédia, eu broxei um pouquinho. Tem tanta coisa que eu quero assistir, por que perder meu tempo com uma """comédia"""? E bota aspas nessa comédia, porque definir Fleabag assim acaba sendo um erro.

Mas confesso que não sei se me arrependo ou se agradeço por ter tido a oportunidade de assistir aos doze episódios - seis de cada temporada - todos de uma vez. Porque depois que você entra na vida da protagonista Fleabag, vivida por uma inspirada Phoebe Waller-Bridge, não tem jeito, você quer mais e mais e mais. 

Muito do meu encanto vem do humor britânico, que é tão peculiar. Eles fazem graça do desconforto, do desajustado, do estranho. Eles colocam uma lupa no cotidiano, no ordinário, e tiram graça daquilo, da nossa desgraça diária, da mesquinharia dos nossos dias. E Fleabag é maravilhosa por isso. A série pega a sua protagonista e esfrega em sua cara - e na nossa, por tabela - tudo aquilo que ela é. Ou o que os outros acham que ela seja. 

Fleabag é a protagonista. Podendo grosseiramente ser traduzido por "Bagaceira", nós efetivamente nunca descobrimos o nome da protagonista. E isso nem é importante, porque a nossa relação com ela acaba se tornando tão íntima e próxima, que isso nem é necessário. 

Os episódios da série são super curtinhos, com menos de 30 minutos cada um. E, na primeira temporada, vamos conhecendo a protagonista e a sua família disfuncional bem aos pouquinhos. É o cotidiano daquelas pessoas estranhas que nos pega. É ele que nos vicia e nos faz querer ver mais e pra onde aquela história está andando, ao mesmo tempo em que, episódio a episódio, vai nos colocando pequenas dúvidas de como aqueles personagens chegaram até aqueles momentos de suas vidas. 

E daí vem o sexto episódio, o final da primeira temporada. E, desculpem-me, mas putaqueopariu! Ele é maravilhoso, um primor. E é incrível como tudo o que vimos aparentemente solto até chegarmos ali culmina para uma pequena obra-prima que é o esse episódio que encerra a temporada. E, com o subir os créditos, você está ferrado, porque é necessário começar logo o segundo ano da série, que foi ao ar no início de 2019 na Inglaterra.

Você dá o play, o primeiro episódio da segunda temporada começa e, pronto, fudeu. Não dá mais pra largar. Porque se o final da primeira temporada é perfeito, a segunda já começa colocando tudo em um novo patamar. E essa é uma temporada que, juro, é a melhor coisa do ano na televisão mundial. 

Perfeito. Lindo. Emocionante. Maduro. Provocante. Faltam adjetivos para definir como o segundo ano de Fleabag é bom e porque foi tão elogiado e rendeu os seis Emmys conquistados na cerimônia desse ano. Sendo bem honesto: é uma temporada boa pra caralho! Não tem absolutamente nada fora do lugar, um senão, nada, nadinha. 

O padre. A madrasta má. O enteado da Clare. A Clare. O pai. Os personagens secundários. A metalinguagem. Tudo, absolutamente tudo é perfeito ali. 

E tem a Phoebe Waller-Bridge, né? Que atriz, que roteirista, que mulher. Eu já conhecia o seu trabalho sem conhecê-la de fato, já que ela é a criadora de Killing Eve, outra série imperdível. Mas vê-la atuando e especialmente nessa história em específico é um deleite. 

Até que chegamos ao episódio final, com aquela última cena que me deixou olhando para televisão e aplaudindo tudo que eu tinha visto até ali. Sério, eu juro, naquele momento - e agora, lembrando de tudo para terminar de escrever esse texto - eu só queria uma coisa da vida: ser amigo da Phoebe Waller-Bridge. Que mulher foda! Putaqueopariu!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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