sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Novos Tempos





Essa semana, o assunto sobre o bullying de MC Gui rendeu. Rendeu ainda muito mais porque as pessoas confundiram o tal Gui com o MC Guimê e o MC Biel, tal qual eu confundo Marília Mendonça e Naiara Azevedo e as duplas Maiara & Maraísa e Simone & Simaria. Não adianta, nunca saberei quem é quem. 

O tal vídeo do MC Gui viralizou. Nele, aparece zombando de uma menininha em um transporte na Disney, em Orlando, onde o cantor passa férias. Houve a especulação de que a garota, visivelmente constrangida, teria câncer, pois estaria usando uma peruca. Os internautas então não perdoaram o rapaz, minutos depois que o storie foi postado. Com a repercussão, o MC apagou a gravação, mas o estrago já havia sido feito.

O que mais impressionou foi a emenda que, literalmente, saiu pior que o soneto. Ao justificar a zoação, argumentou que achou a menina parecida com a personagem Boo, de Monstros S/A, e que nos EUA, durante o mês onde se comemora o Halloween, é normal as pessoas se vestirem para parecerem assustadores e meter medo em alguém. Depois da brincadeira irresponsável, shows foram cancelados e patrocinadores também pularam fora. A família da menina decidiu não se pronunciar, até preservando sua identidade até o momento. 

MC Gui ainda disse que a internet está muito chata, se referindo aos mimimis, e alguns milhares concordaram com ele. Cheguei a comentar em alguns posts de amigos sobre este assunto. É notório que, atualmente, temos que ter muita cautela com o que expomos na rede. MC Gui foi gerido pelo boom das redes sociais. O cara tem mais de 7 milhões de seguidores, somente no Instagram. Por isso, deveria ter mais cautela com as brincadeirinhas. Mas teve uma atitude infantilóide. E agora está pagando por isso.

Eu mesmo fui um que o criticou. Me pus no lugar da menina e lembrei de como já fui sacaneado. E acho que o que mais reverberou nessa avalanche, foi a mesma sensação que tive. Afinal, todo mundo já foi zoado ou humilhado um dia. E isso é péssimo. É a tal palavrinha empatia, que virou moda, apesar de algumas pessoas não saberem o significado. Afinal, você se coloca no lugar do outro? 

É até engraçado falar disso agora, pois a palavra empatia tem exatamente o significado de se pôr no lugar e não julgar o outro... Um exercício bem complexo, pois precisamos nos despir dos preconceitos e sair do mundinho que imaginamos ser o mais correto. Compreender as atitudes que parecem ser incorretas à primeira vista é talvez o maior poder da sensibilidade de empatia. Eu não o estou defendendo. Como já disse, fui um dos que o criticou de forma bem pesada, até. Só estou abrindo para uma reflexão mais ampla. 

Todo mundo já zoou alguém. Eu mesmo já sofri muito bullying e cheguei até a comentar sobre isso na coluna da semana passada. E já fiz muito bullying também. E lembro de ter sido muito cruel, algumas vezes. E é óbvio que isso foi em outras épocas. Com toda a maturidade conquistada, não faria isso. Com a chegada da internet (e mais especificamente as redes sociais), fomos obrigados a amadurecer e elaborarmos formas mais conscientes perante uma coletividade. Por um outro lado, a superexposição aflorou e, junto dela, a propagação do julgamento prévio. Você julga imediatamente o que vê ali exposto. E podem ter a certeza: o tempo inteiro estamos sendo julgados. E somos até julgados por não estarmos na rede... Afinal, o que você tanto esconde para não querer se expor?

Definitivamente, a sociedade ainda não amadureceu o bastante para compreender esses novos tempos.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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