quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O Coringa de Todos Nós





Finalmente assisti o tão aguardado e comentado filme Coringa. Com a proposta de ser um filme de origem, Joker, título original, narra todas as nuances que compõem o controverso vilão do universo dos filmes do Batman. 

Desde Batman Begins, filmes de heróis ganharam uma outra camada. A aura de fantasia continua, mas existe um pé na realidade. Se não nas grandes armaduras dos personagens, nas motivações psicológicas de cada um. Ou seja, os heróis ficaram mais humanos, mais próximos dos dilemas que enfrentamos em nossas vidas.

Em Coringa, Joaquin Phoniex dá um show. Ele conseguiu somar novos elementos em um personagem tão icônico e já imortalizado no cinema. Talvez o nosso luto pela perda de Heath Ledger, que morreu sem receber toda aclamação conquistada por sua interpretação do famoso vilão, tenha passado e estamos abertos a ter um novo Joker para saudar. Mais uma vez, todos os méritos para Phoenix! 

O filme abre possibilidades para inúmeros debates, mas no Brasil de hoje, tudo acaba em... Política. O atual governo diz que Coringa é uma representação da esquerda sem Deus no coração. Mas acho que esse é o tipo de comentário que, no lugar de afastar o público, só irá mandar mais e mais pessoas ao cinema.

E pode ser aí que muitos se verão no espelho. Seja o povo da direta, sentindo-se representados em Thomas Wayne; ou a galera da esquerda, representada pela população abandonada de Gotham... Existe espaço de reconhecimento para todos os tipos de pessoas e pensamentos políticos. E, talvez, seja essa a GRANDE MÁGICA do filme. 

Coringa joga luz sobre os fantasmas de todos. Do que é certo, errado, errado e certo ao mesmo tempo... Existe uma violência psicológica e física o tempo inteiro, mas que em nada difere do que muitos passam todos os dias para ir e vir do trabalho, por exemplo. Viver é complicado pra caramba e só piora cada vez mais. 

Caso você não tenha conferido, faça o mais rápido possível. Ouso ainda dizer que é o segundo melhor filme que assisti no ano, bem ao lado de Bacurau.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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