sexta-feira, 29 de novembro de 2019

A Vida Nos Ensinando a Mudar





Semana passada foi a primeira vez em anos que eu não consegui preparar o texto da coluna. Imaginei que ninguém perceberia, mas fui surpreendido no fim do dia, quando várias pessoas enviaram mensagens perguntando o motivo do texto não ter sido publicado. É engraçado isso... A gente volta e meia acha que o que a gente escreve aqui, morre aqui. Mas não... De alguma forma, as palavras encontram alguém. Pessoas nos aguardam. E certamente é isso que acaba nos impulsionando.

O motivo de não ter conseguido publicar foi uma baita colelitíase, ou mais conhecida como crise de vesícula, que me derrubou. Fui parar no hospital com muitas dores e crise hipertensiva. E para piorar, devido à junção de dois medicamentos na veia, tive um certo surto psicótico – a tão chamada reação extrapiramidal, que quem já teve, não esquece. É uma doideira que provoca muita ansiedade, agitação, aperto no peito, falta de ar, angústia, movimentos involuntários e uma vontade louca de esganar quem está passando na sua frente.

Nem esperei todo o Tramal intravenoso terminar. Ou eu ia embora dali, ou cometeria um assassinato.

Quem me conhece, sabe o quanto tenho pavor de tomar injeção ou colher sangue. Sou daqueles que sua frio e chora mesmo. Detesto ter que tomar remédios. Mas, como sou hipertenso desde muito jovem, de certa forma, o uso dos medicamentos já faz parte da rotina. E também fui “premiado” na família pelas constantes formações de pedras nos rins, que já me custaram mais de uma dezena de procedimentos para a retirada desses objetos apavorantes, que causam dores maiores do que aquela maior dor que você já sentiu na vida. Agora, tem mais essa. As pedrinhas não estão mais nos rins, mas se apresentam em nova versão: na vesícula.

Por isso (e aliado a idade que vai chegando), decidi que preciso mudar certos hábitos para continuar mantendo a carinha jovial. É difícil? É. Amo Coca-Cola, sanduba do McDonald's, churros da carrocinha da pracinha, coxinha da Lecadô, pastel de feira com caldo de cana, balde de pipoca, sundae do Bob´s, pizza de qualquer espécie e Bono de morango. Mas já estou cortando tudo. Sei que ainda vou cair em tentação em algumas vezes – principalmente quando me convidarem para festinhas infantis. Vai ser impossível não assaltar a bandeja de brigadeiros.

Semana que vem completo mais um ano de vida. E chega a ser meio assustador chegar aos cinquenta. Tem gente que não acredita, mas é isso mesmo, galera... Meio século. Dizem que disfarço bem. Pra amenizar, não digo que tenho 50, mas sim 18, com 32 anos de experiência. Mas é estranho, pois quando falamos “vou fazer cinquenta”, já imaginamos uma pessoa anciã, no fim da vida. Eu mesmo, quando tinha uns 12, 13 anos ficava projetando meu futuro nas tardes de tédio... Imaginava que em 2020 eu já estaria com 50 cercado de naves espaciais... Um vovô tecnológico.

Dois-mil-e-vinte está nas bocadas e as naves espaciais não chegaram ainda... Pelo menos não como eram no meu imaginário. E tampouco me sinto um velho. 

Acho que pouquíssimas vezes me senti velho na vida. Lembro de uma vez que fui num Halloween com o Julio e a Denise Carla e só tinha uma molecada lá. Um Halloween que só tocava funk e pagode. Eu queria morrer. Ainda mais quando uma louca me chamou de tio e perguntou se eu podia ensinar a ela a apertar o baseado que ela carregava. Uma “maconheira Nutella”, como ela mesma fez questão de frisar. Ri tanto da situação que aquilo me fez cair na real... Sim, somos mais jovens do que esses moleques que acham saber tudo da vida.

É ela sempre nos ensinando. O importante é estarmos bem conosco mesmo. E sempre dispostos a mudar. Eu acho que é isso que nos estimula a continuar colocando em prática nossos projetos. 

PS.: ah, por falar em projetos, já ia esquecendo de falar do livro! Sim, Barbitúricos saiu! Queria agradecer a todos os amigos e leitores que foram lá prestigiar a gente no sábado passado... Foi um dia bem atípico, pois era a final da Libertadores, os flamenguistas e não-flamenguistas estavam agitados, a cidade estava caótica... Mas foi lindo. Para quem perdeu, em janeiro faremos um novo. Então façamos assim: aquele foi o pré-lançamento. O lançamento pra valer é em janeiro, ok? Desta vez aguardo todos vocês para começarmos o ano de 2020 com o pé direito e cheio de afeto.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Márcia Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.