terça-feira, 12 de novembro de 2019

Cada Um Acredita No Que Quer Acreditar




Mais uma semana, mais uma terça, mais uma coluna a ser escrita.

E, não diferente de algumas vezes (acho que já até escrevi sobre falta de inspiração para escrever), minha mente está meio lenta hoje. Sabe aquela máxima do tenho preguiça de...? Pois é! No momento ando com preguiça de situações e pessoas. Mas muito preguiçoso, mesmo!

E se vocês perguntarem se existe algum motivo ou alguém em especial, lhes digo: não. É de um modo em geral mesmo. Muito trabalho e um consequente cansaço fez com que pensasse durante a semana passada: hoje não, amanhã escrevo. E com esse pensamento consecutivo diário, o que aconteceu? Passaram-se dias até a véspera da coluna ser publicada.

Olhem bem a imagem que estampa este texto. Quem nunca olhou uma foto que não mostra nada de especial e levou a um certo pensamento? Ou leu uma frase e pensou numa coisa e que esta, em nada tem a ver com o que, de fato, queria ser dito? Pois... aconteceu-me isso. Ontem vi uma publicação no Instagram com o seguinte dizer: 
Há momentos na vida, que provar para outros quem você é, torna-se completamente desnecessário.
Essa frase povoou minha mente de uma forma tão ampla para várias coisas que tenho visto e vivido, que resolvi transformá-la neste momento de reflexão.

Cada um acredita no que quer acreditar...

Em tempos de política obscura e atitudes de pessoas que demonstram quem elas realmente são e pensam, pergunto-me se o mundo está cego ou se eu estou cego. Por isso desta reflexão. Não consigo crer que as pessoas não sabem o que fazem e falam. Não consigo acreditar que elas não tenham ciência da consequência de suas atitudes. A nossa vida e nossas ações, na verdade, são baseadas em conveniências. 

E isso seria uma crítica a alguém, Julico? Não necessariamente. Até porque eu mesmo me coloquei nesse balaio no parágrafo anterior. Às vezes, quando nos é conveniente, sim, somos cegos. Não queremos ver se nosso companheiro nos trai, pois essa descoberta poderia ser dolorosa demais. Acreditar naquela relação de fidelidade (ou lealdade, dependendo do contexto), faz nossa cegueira ser conveniente. Acreditar que você é o máximo no seu trabalho, te leva a um caminho de autoestima e aceitação também bastante conveniente. Você dissipa a insegurança e segue se achando maravilhoso. Se ninguém te der um feedback, por que você, logo você, vai se achar um merda? Acreditar que um amigo ou um parente te aceita como você é, é uma relação de hipócrita conveniência. Se as pessoas não falam nada na sua cara e esperam você sair para cochichar ou maldizerem você, para que fomentar uma situação desconfortável, se aparentemente tudo está bem? Se acreditar querido e bem quisto é conveniente para não se sentir desprezado ou mal falado quando se vira as costas. Acreditar numa política dita incorruptível, quando se tem provas claras do quão cancerígena ela é, é um sinal de conveniência para justificar suas mazelas comportamentais, pautadas para aceitar antilíderes no poder. 

É isso. Qualquer semelhança com algum desabafo meu, em textos anteriores sobre a política brasileira, dessa vez, é mera coincidência. Acredite, se quiser...

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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