sexta-feira, 15 de novembro de 2019

O Mundo em Inferno Astral





Eu tô exausto, dentro do olho de um furacão e insuflado devido ao meu inferno astral. E é inadmissível que em pleno século XXI ainda estejamos agindo como australopitecos, que certamente deveriam ser bem mais sociáveis.

Mas não canso de repetir, quase como uma espécie de mantra, que apesar de toda a evolução tecnológica que o mundo tem vivenciado ao longo dos anos (principalmente nos dez últimos), uma grande parcela da sociedade regrediu sua forma de pensar e está querendo empurrar os demais para o abismo. Tá puxado!

E o que mais me deixa irritado é olhar para os lados e ter me certificar que mesmo as pessoas coerentes não conseguem compreender a velocidade os rumos tomaram. Elas ainda estão presas em um determinismo cultural, sem perspectivas de aceitar as mudanças.

Semana passada participei de um congresso onde tive a oportunidade de poder explicar para um grande grupo de pesquisadores e profissionais que atuam na área da saúde essa velocidade absurda que estamos passando. As pessoas olhavam meio que incrédulas sobre alguns dados. Não vivemos mais utilizando a mídia tradicional como aprendemos. Hoje, tudo é baseado em cross e transmidia. O volume de dados criado apenas entre os anos de 2014 e 2016 foi maior que a quantidade de TODA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE. Para 2021, a expectativa é que o volume seja correspondente a 40 ZB ao ano, cerca de 40 sextilhões de bytes. É como se dobrássemos toda a informação da história da humanidade, desde sua criação a cada 12 horas.

Acho que a humanidade não está preparada para isso.

Ontem, fui surpreendido com a publicação de uma medida provisória para acabar com o registro de jornalistas no país. Um ataque VERGONHOSO que só ratifica a perseguição para deslegitimar a atuação dos jornalistas no exercício da profissão. E nesta mesma MP, os jornalistas não estão sozinhos no desmanche. Também estão sendo atingidos publicitários, radialistas, sociólogos, arquivistas e artistas, entre outros. Mas vi pouquíssimas movimentações de união das categorias para criar um diálogo com deputados e senadores para que o Congresso derrube essa MP. 

Essa semana imagens de banalização da violência contra a prefeita boliviana Patricia Arce me chocaram. Ela teve o cabelo cortado à força, seu corpo foi pichada de tinta vermelha e a mesma foi obrigada a andar por quilômetros, sendo perseguida e atacada por homens mascarados gritando assassina de merda, que filmaram e mostraram para todo o mundo a sua expressão atônita. A transformaram em prisioneira de guerra e ficou por isso mesmo. Eram centenas de homens agredindo uma MULHER!

Horas depois, uma senadora de direita se autoproclama presidente do Senado e presidente interina da Bolívia sem nenhum quórum legislativo! Como assim? 

Aqui, o prefeito do Rio vai até o Palácio do Planalto em Brasília e põe à disposição a Igreja Universal para ajudar o presidente a colher assinaturas para sua nova legenda Aliança pelo Brasil. Oi? 

Beijo gay entre super-heróis em história em quadrinhos sendo repreendido, escritores como Luisa Geisler (de Enfim, Capivaras) e Angélica Freitas (O Útero é do Tamanho de um Punho) sendo banidas de feiras literárias... Peças teatrais como Caranguejo Overdrive sendo proibidas de serem exibidas, além do veto à produções cinematográficas e teatrais com temáticas LGBTI... Pra quê isso? 

Lula foi solto semana passada, mas os pensamentos de esquerda continuam retrógrados. A prática é totalmente diferente da realidade. Qual o diálogo que está sendo construído? Como bem sinalizou uma grande amiga, estamos vivendo uma realidade onde eleições são manipuladas por algoritmos, utilizando-se de tecnologia de rastreamento e mapeamento populacional! Enquanto isso, a esquerda continua falando sobre revolução industrial e Marx. Não dá, gente!

Para a prefeitura do Rio já defendem a candidatura de Benedita da Silva pelo PT. Ciro apoia Martha Rocha, PSOL vem com Freixo, PSB com Molon, PCdoB com Brizola Neto. Queria compreender o porquê de todos não se juntarem... É todo mundo querendo o seu quinhão, sem dar o braço a torcer e olhando para o próprio umbigo. Isso me exaure.

Enquanto isso, os fanáticos regozijam-se. E os debates de ódio se intensificam, mesmo para os já estavam com uma certa vergonha. Prevejo que o Natal de várias famílias ainda será sem a reconciliação que já se desenhava. 

E dá-lhe inferno astral!

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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