segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Um Dia de Chuva em Nova York




Woody Allen é um diretor profícuo. Apesar da idade - e das inúmeras polêmicas - Allen continua em atuação e lançando novos filmes, que oscilam em qualidade e sucesso. E Um Dia de Chuva em Nova York (A Rainy Day in New York, 2019) é um bom exemplar do trabalho do diretor, mas que empalidece no quesito arte, ofuscado pela eclosão, por ocasião de sua filmagem, do escândalo familiar - e sexual! - envolvendo Allen, sua ex-esposa Mia Farrow e a filha adotiva Dylan Farrow. Foram as polêmicas também que atrasaram a estreia do filme que, finalmente, chega ao Brasil na próxima quinta-feira, 21/11, distribuído pela Imagem Filmes. 

Se há alguma novidade em Um Dia de Chuva em Nova York? Sendo bem honesto, não. Trata-se de um típico filme de Woody Allen, com os tipos característicos, os diálogos espertos, a belíssima fotografia e atores bem dirigidos. Dessa vez, cabe a Timothée Chalamet, o atual queridinho de Hollywood, dar vida ao alter-ego de Allen, como um rapaz meio estranho, mas adorável. E como musa do projeto, Allen escolheu Elle Fanning, como uma jovem avoada e de moral levemente questionável, mas que seduz a câmera (e os personagens masculinos) junto com a plateia.

Estudantes de uma faculdade do interior do estado de Nova York, o casal de namorados Gatsby e Ashleigh vão até Manhatthan para um trabalho da jovem: ela tem a oportunidade de entrevistar para o periódico da sua universidade o conceituado diretor de cinema Roland Pollard. Gatsby, que nasceu em Nova York e possui uma série de problemas com seus pais que ainda habitam na cidade, vê na visita uma oportunidade para apresentar a Big Apple para a namorada e passar um final de semana romântico. Mas é claro que as coisas não saem como planejado.

Aqui, o roteiro de Woody Allen é preciso em retratar uma série de situações cotidianas, em crônicas bem humoradas simples e sutis que arrancam sorrisos da plateia. Por uma série de fatores, Ashleigh acaba envolvida com três homens de Hollywood, naufragando os planos de Gatsby, que aproveita o dia de chuva para rever amigos, viver uma atração romântica com a irmã de uma ex e tentar resolver os problemas de sua família. 

Com um elenco capitaneado por Chalamet, Fanning e Selena Gomez, o conjunto de atores do longa é invejável. Desfilam pela tela, em papeis secundários, nomes como Liev Schreiber, Jude Law, Diego Luna e Rebecca Hall. Chalamet faz um alter-ego de Woody cativante, vivendo o jovem que parece não se enquadrar aos padrões dos pais ricos. Já Elle Fanning conquista como a jovem estudante de jornalismo vinda do interior que fica deslumbrada com as possibilidades de Nova York e do meio que se vê inserida. A Selena Gomez cabe o papel da moça de língua afiada que conquista o protagonista com seu jeito despachado e cativante, o que a atriz faz bem. 

A Nova York chuvosa do filme é linda, com uma fotografia que parece abraçar os protagonistas, seja enchendo a jovem Ashleigh de luz ou encobrindo Gatsby de sombras, de acordo com o humor e a personalidade dos personagens. 

Já Woody Allen parece cada vez mais apegado ao passado, com uma série de referências e citações que soam muitas vezes forçadas quando ditas pelas bocas de seus jovens protagonistas. Já o humor dos diálogos continua afiado, garantindo bons momentos durante o longa. 

Ao final da projeção, a sensação que temos é de que Um Dia de Chuva de Nova York é mais do mesmo de Woody Allen. E isso, por si só, já é um baita elogio. 

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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