terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Preferidos do Barba: Melhores Livros (Lidos) de 2019





2019 foi o ano do Barba Feita! Barbíturicos finalmente nasceu, depois de uma longa gestação, para coroar cinco anos desse projeto tão bacana! E, sinceramente, eu gostaria de dizer que, este, foi o melhor livro que li neste ano! Mas não poderia ser tendencioso, não é mesmo? Deixo esta classificação para vocês, nosso amigos e leitores.

Me entristece constatar que esse ano, culturalmente, foi especialmente pobre em nosso país. Talvez nem pobre, mas ignorante mesmo. As pessoas optaram em dar as costas à informação. Preferiram dar voz a fakenews, propagar informações sem pesquisa profunda, dando vulto a uma onda assombrosa de falta de senso, empatia e inteligência, ops, raciocínio lógico...

Maaasssss.... Eis que estamos aqui, resistentes e prontos para gritar que sim, cultura e informação aqui no Barba não se calam! E, por essa razão, viemos compartilhar os melhores livros que lemos em 2019 e mostrar que a cultura, seja ela por qual mecanismo for, sempre irá nos trazer discernimento nos nossos pensamentos e atitudes.

Rebeldes Tem Asas, de Rony Meisler

2019 também foi o ano que eu resolvi mergulhar num universo que me fascina faz tempo e resolvi cursar moda. Por essa razão, povoaram minha cabeceira best-sellers especialmente voltados ao mundo fashion e histórias da vida real de grandes nomes da moda.

O livro de Rony Meisler, escrito com o jornalista Sergio Pugliese, sobre a história da Reserva não é um livro apenas para alguém que gosta de moda. É uma história de determinação, empreendedorismo, realização de sonhos e sucesso. 

Rebeldes tem Asas, apesar de não ter sido lançado em 2019, foi-me apresentado este ano. E foi, para mim, um livro de autoajuda, onde mergulhei dentro de mim mesmo e pensei que sim, posso dar asas aos meus sonhos, sejam eles quais forem e torná-los realidade.

Uma Mulher no Escuro, de Raphael Montes

Já deu pra notar que Raphael Montes é queridinho aqui do Barba Feita, né? Além de ser talentosíssimo, um dos melhores de sua geração, o rapaz é super acessível, simpático e querido (além de uma mente criativa muito da perturbadinha, de dar inveja). Pois bem, ganhei Uma Mulher no Escuro do Marcos Araújo, aqui do Barba, dias depois do seu lançamento, no meu aniversário. Um mês depois, o levei à Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) para um debate em que o próprio Raphael estava. E ele complementou a sua dedicatória para mim (Marcos apenas pegou o autógrafo, com medo de eu já ter adquirido o livro antes). Àquela altura, faltavam poucas páginas para eu terminar a obra.

Uma Mulher no Escuro não é o melhor livro do Raphael. Mas é um livro mais amadurecido e real. Se em Jantar Secreto, sua obra anterior, ele usava de metáforas para falar de questões como abismos sociais, consumo exacerbado e o próprio carnivorismo do ser humano, aqui o autor nos leva para a rotina bem medíocre e limitada de sua primeira protagonista feminina, Victória. Sobrevivente de uma chacina que dizimou sua família quando ainda era menina, Victória descobre que o assassino completou sua pena (era menor de idade à época) e está à solta agora. O leitor logo é levado a entender que Santiago, o criminoso, só pode ser um dos três homens que a cercam: seu terapeuta, seu único amigo ou seu novo namorado. A trama de Uma Mulher no Escuro é eletrizante, do tipo que é difícil mesmo largar o livro, e traz boas reviravoltas. Admito que, após ler algumas obras de Raphael, de alguma forma os seus desfechos não me surpreenderam tanto dessa vez (matei algumas das charadas antes de serem reveladas). Talvez por conhecer um pouco a sua forma, talvez por pensar parecido... Fato é que sempre estamos esperando leitura de qualidade das mãos do jovem autor carioca e isso a gente recebe de bandeja nesse que foi o meu melhor livro, lançado e lido, de 2019.

O Sol na Cabeça, de Geovani Martins

A estreia de Geovani Martins na literatura foi uma grande febre de 2018, mas só agora, no final de 2019, consegui ler esse livro de contos. Tido como o novo fenômeno da literatura brasileira, lançado pela Companhia das Letras, O Sol na Cabeça é uma obra que consegue trazer um mundo que muitos conhecem dos filmes, séries e novelas em 13 contos bem escritos. 

Logo de cara dá para entender todo o hype ao redor da obra e de seu novo autor. Geovani consegue colocar todo leitor ao lado de seus protagonistas, seja na viela de um morro, na praia de Búzios curtindo férias de final de ano ou no ponto de ônibus na Gávea. Martins sabe como fazer a gente torcer, também temer por seus personagens e pensar que o pior sempre pode acontecer, assim como na vida. Uma baita leitura e recomendo muito!

Bom Dia, Verônica, de Raphael Montes e Ilana Casoy
Bom dia, Verônica foi lançado inicialmente com um mistério que logo me chamou a atenção como uma estratégia de marketing, pois ninguém sabia o verdadeiro nome da autora, que se escondia sob o pseudônimo de Andrea Killmore, uma policial que viu-se obrigada a assumir uma nova identidade após trabalhar infiltrada em um caso e sofrer uma perda pessoal. Desde o início eu achei isso muito estranho... Era a cara do Raphael Montes... Mas como ele estava ocupado preparando tantas coisas ao mesmo tempo, achei que era coisa da minha cabeça.

E não era que minha intuição estava certa? Em 2019, o mistério foi desvendado. O livro foi sim escrito por Raphael Montes e pela escritora e criminóloga Ilana Casoy, sobrinha do jornalista Boris Casoy e prima de Serginho Groismann. Ilana, que é especialista em estudos psiciológicos de serial killers, já publicou outros livros sobre crimes como um relato inédito do Caso Nardoni e sobre o assassinato do casal Richthofen.

O livro conta a eletrizante história de Verônica, uma secretária policial que, na mesma semana, presencia o suicídio brutal de uma jovem e recebe anonimamente uma ligação de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Verônica decide então, investigar os dois casos e se envolve em um emaranhado de situações cada vez mais cruéis, sombrias e perversas. É um suspense de tirar o fôlego!

Me Encontre, de André Aciman





Eu li pouco em 2019, muito pouco. O hábito de usar qualquer tempo livre (como minhas idas e vindas de metrô para o trabalho, por exemplo) para assistir a séries no iPad cobrou o preço no quesito leitura e deixei os livros um pouco de lado. E, consciente dessa vergonha, iniciei dezembro com a missão de recuperar o tempo perdido e, pelo menos, dei muita sorte: os dois livros que li foram maravilhosos e impactantes.

E fiquei na dúvida entre os dois para indicar por aqui. E se Uma Mulher no Escuro foi a minha primeira opção, acabei deixando essa missão para o Paulo Henrique Brazão quando soube que ele também gostaria de falar sobre o livro. Por isso, meu escolhido acabou sendo aquele que tem sido a minha agradável companhia nesses últimos dias, Me Encontre, de André Aciman, onde o autor revisita os personagens de Me Chame Pelo Seu Nome, sua obra mais famosa, anos depois dos acontecimentos retratados no livro (e filme, que foi sucesso de público e crítica).

Me Encontre é dividido em quatro partes, sendo as três primeiras centradas em um dos seus três protagonistas: Samuel, Elio e Oliver; na quarta e última parte, o destaque fica para um encontro entre Oliver e Elio. E se estamos é interessados mesmo é em Elio (eu, pelo menos), é agradável conhecer um pouco mais de Samuel, o pai do protagonista do primeiro livro e ver que Elio tem muito de seu pai

E escrita de Aciman é pura poesia e, tirando um ou outro grande clichê da obra, ela vale muito a viagem.

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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