quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Preferidos do Barba: Melhores Músicas de 2019





Que ano bom para música pop brasileira. Uma indústria que sempre tentou acontecer, mas que só ganhou verdadeiro fôlego há seis anos, chegando a 2019 cheia de novidades. Luisa Sonza lançou seu primeiro álbum e mostrou que veio para ficar. Lexa deu a volta por cima e Iza ficou mais forte do que nunca. E Anitta... Amor, Anitta fez ainda mais o seu nome, o que surpreende o total de zero pessoas, incluindo haters

O lado drag da força também vai muito bem. Glória Groove fez parcerias inusitadas, Pablo também. Lia Clark lançou até seu álbum ao vivo. Fora outros cantores que fazem parte do vale e que mostraram toda sua onda músical: Jão, Bemti, Bruno Gadiol, Day, Carol Biazin, Danna Lisboa, Lisita e Gabriel Nandes são ótimos exemplos. Isso porque estou focado na música nacional. É preciso valorizar o que é nosso, né?

Então, como somos diversificados e de gosto amplo, fiquem com as melhores músicas para os colunistas do Barba Feita que, não satisfeitos em escolher apenas um cada um, se esbaldaram. Com direito a playlist no Spotify, que você pode conferir clicando aqui.

YoYo, de Gloria Groove feat IZA


Acho que a junção de IZA com Glória Groove foi a mais aguardada por mim nesse ano. As duas possuem sonoridade tão próprias que não sabia o que esperar. Seria um R&B, um reggae, um pop bem farofa? E foi algo diferente. YoYo flerta com o pop, mas ela tem misturas muito próprias e que funcionam completamente na voz de IZA e Groove. O único defeito, além de ser uma música muito rápida? Cadê o rap? Era o feat perfeito para IZA fazer sua vez de rapper e uns versos mais rápidos. Mas essa ausência não estraga esse encontro perfeito. Só me deixou com gostinho de quero mais...

Bônus:

Terremoto, com Lia Clark, foi outra música que merece receber todos os elogios. Apesar de ser um lançamento de 2018, seu clipe só ganhou o mundo esse ano e fez a composição crescer e ganhar outra cara. Gostei muito!

Impossível não ficar com o refrão de Desculpa, Mas Eu Só Penso em Você, cantada por Bruno Gadiol. O clipe, além de esteticamente lindo, prende com sua coreografia e cores atraentes. A letra é chiclete, pop e até meio stalker romantica, o que pode agradar em cheio essa geração que não consegue tirar alguém da cabeça, mas não escuta sofrência sertaneja.

Eu Te Proibo de Ter Esse Poder Sobre Mim, segue um pouco do estilo de sofrência, mas sem a linha rural. Bemti usa de toda sua poesia para seguir em frente e mostrar que nosso coração é livre para seguir um rumo diferente daquele que nossa cabeça, às vezes, insisti em insistir. Duvido você ouvir e não ter um sorriso no canto da boca.

Foi ouvindo Meu @ que conheci Gabriel Nandes. Na verdade, já tinha conhecido o moço no clipe de Seu Costume, que ele estrelou ao lado do Bruno Gadiol. Bem, aqui vai para todo mundo que sempre teve um crush em alguém, acabou fazendo papel de trouxa e sabia disso. Fazer o quê, não é mesmo? Ninguém disse que gostar de "outro alguém" seria fácil, não é mesmo? rs

Dark Ballet, de Madonna
Por Marcos Araújo


Como um grande apreciador musical, escolher uma única canção em meio a tantos lançamentos bacanas no ano de 2019 é uma missão quase impossível. Então, para poder contemplar um número mais robusto, resolvi montar uma listinha (todos sabem que adoro listas, né?) com os meus top 10. 

Na décima colocação, incluo Bicho Solto, com Pitty, que lançou um disco sensacional e que merece muito ser ouvido como um todo. Conceitual, essa canção dá o recado perfeito para esta nova fase: “Eu me domestiquei / pra fazer parte do jogo / mas não se engane, maluco / continuo bicho solto!”

Sigo com Complainer, dos rapazes do Cold War Kids, que lançaram recentemente disco novo produzido por Lars Stalfors (Foster the People), dando um toque mais dançante e funkeado. A banda americana, com influências de White Stripes, Velvet Underground e Bob Dylan reaparecem com essa poderosa canção lembrando os bons tempos de Prince! 

Em oitavo, incluo a doidinha (e talentosíssima) Billie Eilish que, com seus 17 anos, já mostra uma maturidade incrível com sua mistura de Aurora e Lorde dentro de um filme de terror. A cantora, que já quebrou vários recordes nas paradas de sucesso, virá ao Brasil em maio de 2020 para shows no RJ e SP. Ela é a primeira e, até agora, única artista nascida nos anos 2000 a obter um single nº 1 nos EUA. Eilish já possui quatro singles de platina e oito de ouro! E a minha selecionada dela é a canção Bad Guy, totalmente performática com sua estranha melodia dark

Em sétimo, indico os sensacionais BaianaSystem que, este ano, ao completarem 10 anos de formação vêm com um disco superbacana e conceitual, com muitas participações e colaborações. Curtam bastante a faixa Água, com um toque de ijexá e com a participação da dupla baiana Antonio Carlos e Jocafi, que fez muito sucesso nas paradas nacionais durante os anos 1970. 

Sigo com o maravilhoso Criolo e a canção Etérea, com pegada eletrônica, com forte posicionamento político-representativo à comunidade LGBTQI. 

Em quinto lugar, incluo o Pin Ups, banda paulistana considerada a precursora do movimento indie brasileiro, formada em 1988 e que influenciou meio mundo nas garagens e subterrâneos tupiniquins. Spinning é uma deliciosa canção do novo disco, essencial. 

Em quarto, os ingleses do Metronomy, que fizeram shows recentes no Brasil divulgando o novo disco, na qual selecionei Wedding Bells e a sonzeira experimental que coloca no liquidificador Kraftwerk, New Order e The Cure. 

A medalha de bronze vai para Jão e a impublicável canção VSF. Jão começou com aquele estilo Silva de ser, mas conquistou uma legião de fãs incrível com suas canções dramáticas no maior estilão da sofrência. 

A medalha de prata vai para o multi-instrumentista supertalentoso Beck, que lançou este ano o álbum Hyperspace com a linda e atmosférica Dark Places e seu caldeirão de influências como a soul music, o folk e o hip hop

E em primeiro lugar, o título vai para a rainha Madonna, que nunca perde a coroa de majestade suprema. Madonna lançou esse ano, um disco conceitual (Madame X) que é ao mesmo tempo político, soturno, depressivo e anti-pop, considerado quase um suicídio no cenário que ela mesma ajudou a construir na música popular mundial. Dark Ballet é um exemplo desse contexto: cheio de mensagens iconográficas e de referências religiosas lembrando o clássico Like a Prayer. O clipe de Dark Ballet é outra obra-prima, trazendo o rapper americano Mykki Blanco, negro, trans e soropositivo, sendo queimado vivo como uma nova versão de Joana D´Arc. Ouça e se surpreenda com as inesperadas mudanças em seus compassos. Ousada e genial!

Bixinho, de Duda Beat
Por Leandro Faria


Se tem uma coisa que eu fiz em 2019, foi ouvir música. Seja em casa, na academia, caminhando pela rua ou até em momentos mais íntimos, meu Spotify estava sempre fazendo valer a sua assinatura. E, entre o que eu ouço sempre e as novidades, Duda Beat foi uma presença marcante nas minhas playlists.

E é de Duda o meu destaque do ano. O ritmo gostoso, a letra bonitinha e toda a delicadeza de Bixinho marcou o meu ano de 2019 em momentos diversos, comigo entoando seus versos em todas as ocasiões - mesmo com a música tendo sido lançada em 2018, mas só ganhando o país nesse ano que se encerra. E se quando eu ouvi a canção pela primeira vez, eu meio que me senti especial, por não vê-la sendo tocada à exaustão, o cenário mudou e agora todo mundo pode se render ao talento de Duda Beat, com Bixinho sendo trilha de comercial do Facebook na TV e estando na trilha sonora de Amor de Mãe, a novela das 21h da maior emissora do país.

Mas é claro que Bixinho não foi o meu único vício musical do ano e eu preciso citar outras canções que me embalaram nesse ano, seja me libertando e encantando, seja durante a dor de cotovelo (que chegou e passou mas, é claro, teve trilha sonora). Também com Duda Beat, eu me acabei de dançar com Meu Jeito de Amar e me diverti horroroes com Xanalá, a parceria com Gaby Amarantos. Anitta (que foi a artista mais ouvida no meu Spotify em 2019) marca presença aqui com seus feats com Madonna em Faz Gostoso, Ludmilla e Snoopy Dog em Onda Diferente (a música da discórdia) e Lexa, Luísa Sonza e MC Rebecca em Combatchy. Seguindo o ritmo do funk, como não citar Provocar, de Lexa com Gloria Groove, Não Sou Obrigada, de Pocah, e Verdinha, de Ludmilla? Já Pabllo Vittar continua me divertindo e se terminei o ano empolgadíssimo cantando Amor de Que a plenos pulmões, a cantora me acompanhou durante o ano com suas parcerias em Trago Seu Amor de Volta (com Dilsinho), Flash Pose (com Charli XCX) e Parabéns (com Marcio Vitor, do Psirico), todas maravilhosas.

Na verdade, minha lista seria interminável. Mas vou parar por aqui. Mentira, vou só citar outras que vocês podem ouvir na playlist, porque sou desses: All The Lies (Alok), AmarElo (Emicida, Majur, Pabllo Vittar), Brilho de Leão e Ombrim (Rosa Neon), No Me Acuerdo (Thalía, Natti Natasha), Some Que Ele Vem Atrás (Anitta, Marília Mendonça), Evapora (IZA, Ciara, Major Lazer) e Um Pôr do Sol na Praia (Silva, Ludmilla).

Pronto, parei!

Brisa, de IZA
Por Julio Brito


Muito difícil escrever minha parte nesta coluna, pois, além dos meus colegas serem exímios conhecedores deste nicho, eles fazem uma introdução que me dá vontade de ficar aí do outro lado com vocês, apenas lendo e admirando. Mas, não tenho como fugir da tarefa, não é? Então, vamos lá!

Eu não sou um erudito musicista e meu gosto é para lá de eclético. Não tenho um rótulo de estilo musical e posso ouvir uma ópera sem entender o que está sendo cantado, mas me apaixonar simplesmente pela melodia. Logo depois estou eu lá, requebrando ao som de um funk ou de um axé-music, onde a letra só tem duas frases: “agora desce e agora sobe”. 

Posto isso, não escolhi muitas, mas duas músicas que se tornaram minha trilha sonora neste ano. A primeira e a principal escolhida foi Brisa, da IZA. Ô música gostosa de se cantar e de requebrar! Essa música era aquela que fazia parte do meu retorno para casa depois daquela sexta-feira coroada por uma semana intensa de demandas e onde me comportava quase como um Gene Kelly no filme Cantando na Chuva. Sim, eu ia literalmente requebrando para casa e cantarolando essa canção! 

A outra, me chamou atenção no primeiro capítulo da novela A Dona do PedaçoNothing Breaks Like a Heart, produzida por Mark Ronson e cantada por Miley Cyrus, quando ela tocou ao fundo, como tema da personagem Vivi Guedes, influencer digital interpretada por Paolla Oliveira. Alguns aqui sabem que tenho um blog de moda e sou um pretenso digital também. E a cada click que eu fazia, eu imaginava aquela música ao fundo e me sentia a própria Vivi Guedes!

A conclusão disso tudo? Música faz bem à alma, meus caros! Ela espanta tristeza, alimenta sonhos, te faz voar com suas fantasias e, sem você esperar, se torna uma mola propulsora para você correr atrás dos seus objetivos!

Coisa Boa, de Gloria Groove
Por Paulo Henrique Brazão


A música estourou perto do Carnaval e virou um hit estrondoso, talvez o maior de Glória Groove ao lado de Bumbum de Ouro (hit do Carnaval anterior). Glória foi uma figura ascendente em projeção geométrica em 2019. Lançou sucesso atrás de sucesso (na minha opinião, brilhou mais esse ano do que Pabllo Vittar, maior ícone drag atual do Brasil), viu seu bloco em São Paulo lotar muito além das expectativas, dublou Aladdin no cinema, fez feature com IZA... Com seu corpo bem longe dos padrões femininos e gays brasileiros, rebolou na cara da sociedade com talento e carisma. Pude ver seu show no Chá da Gloria, no Vivo Rio, e conferi de perto tudo isso (embora ela ainda precise ajustar alguns momentos para ter uma apresentação mais consistente e autoral como ela parece ser).

Coisa Boa foi a música que mais me fez querer balançar a bunda esse ano. Com uma coregrafia marcante, não é difícil ver as bees tentando acertar quando ela toca na noite ou surgia nos blocos ou mesmo em seu show. Ainda por cima, traz uma mensagem super “pra cima” de resistência LGBT, num pancadão de altas bpm. Impossível ficar parado e não cantar. Destaque também para o clipe da canção, dirigido por Felipe Sassi, cheio de referências e muita cor vermelha. Glória reinou na música em 2019 e o ápice, sem dúvida, foi Coisa Boa.

Outras músicas muito boas estouraram em 2019 e merecem ao menos uma menção. Uma das que mais ouvi foi Thunderclouds, do trio LSD, liderado pela cantora australiana Sia. Com um clipe apaixonante e fofinho e uma mensagem sobre tempestades que passam, a canção é totalmente chiclete. Brisa e Dona de Mim, da queridíssima IZA, também acalentaram meus ouvidos esse ano. E as parcerias, já polêmicas, entre Anitta e Ludmilla, Favela Chegou e Onda Diferente foram gratas surpresas.
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Gostaram da seleção? Bem eclética, né? Pois dá pra curtir também a playlist que montamos no Spotify com todas as músicas que citamos na coluna do dia. Clica aqui e aproveite as nossas escolhidas como melhores músicas de 2019!

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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