segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Preferidos do Barba: Melhores Séries de 2019





É um tremendo clichê o que vou dizer, mas 2019 voou. Outro dia mesmo eu estava debruçado sobre todas as séries que vi em 2018 pra montar aquela listinha do ano passado. E agora já estou aqui, elencando e me debruçando entre tudo (de bom, ainda bem) que assisti em 2019 e sofrendo um pouco pra me decidir. 

E essa é a primeira coluna de uma semana especial em que nós, colunistas do Barba Feita, vamos dividir com vocês, queridos leitores, nossas predileções do ano em algumas categorias. Não queremos ser donos da verdade e sabemos que nossas listinhas poderão até desagradar alguns - e listas sempre desagradam alguém. Mas o objetivo principal é dividir o nosso gosto, indicar bons materiais. Como diz um amigo (não nesse contexto, mas tá valendo), sharing is caring

No campo das séries, 2019 foi o ano em que o streaming mostrou a sua força, mas que a televisão, principalmente a fechada americana, mostrou que sim, ela ainda está brigando e no páreo pela audiência mundial. Algumas das melhores produções do ano, indiscutivelmente, foram lançadas pela HBO (e não, eu não estou falando da temporada final de Game of Thrones).

Então, curiosos por nossas eleitas como melhores séries de 2019? Cata a lista e, se ainda não assistiu a nenhuma das produções, faça isso, garantimos a qualidade ;-)

Years and Years

Em 2019 eu assisti muita coisa. E foi tanta, mas tanta coisa boa que, confesso, que difícil escolher apenas uma só como minha preferida! Mas preciso escolher Years and Years, a maravilhosa produção da HBO que, acompanhando uma família britânica por 15 anos a partir de 2019, apresentou cenários assustadores e plenamente possíveis, principalmente se analisarmos a atual situação política atual. A série - ou minissérie - é uma jóia e merece ser assistida, comentada e que mereceu sim todo o burburinho que causou enquanto foi exibida.

Mas aqui também me permito burlar o sistema. Porque Years and Years é sim soberba. Mas também preciso falar de Sex Education (Netflix), The Umbrella Academy (Netflix), The OA - Part II (Netflix), Special (Netflix), Bonding (Netflix), Se Eu Não Tivesse Te Conhecido (Netflix), Chernobyl (HBO), Shippados (Globoplay), Veronica Mars - Season 4 (Hulu), Pose - Season 2 (FX), Unbelievable (Netflix), Fleabag - Season 2 (Amazon Prime), Atypical - Season 3 (Netflix), The End Of The F***ing World 2 (Netflix), Nós Somos a Onda (Netflix), Ninguém Tá Olhando (Netflix) e Eastsiders - Season 4 (Netflix).

Sério, gente, que ano bom para o mundo das séries. Todas essa que eu indiquei não são boas. São boas pra caralho!

Segunda Chamada

Ano passado, escolhi a série Sob Pressão como minha preferida, pelo grau de realismo que, a meu ver, a obra imprimiu. Já me sentia meio órfão com o término de mais uma temporada quando resolvi arriscar e ver o primeiro episódio daquela que veio a substituí-la, porém, sem muitas expectativas de que o impacto fosse o mesmo. Segunda Chamada chegou como um furacão nas minhas noites e rapidamente preencheu o meu vazio, adotando a lacuna da minha orfandade.

O hospital parco de recursos agora dava lugar à uma escola tão carente quanto. Os professores protagonistas da nova série tem uma carga humana tão forte quanto os médicos da outra. Criada e escrita por Carla Faour e Julia Spadaccini, a série entra nas dificuldades de um colégio de ensino noturno para jovens e adultos, mas nos faz refletir a cada episódio que ali estão retratadas cenas da vida real e em todas escalas de ensino do nosso país.

Paulo Gorgulho, Deborah Bloch, Hermila Guedes, Thalita Carauta, Silvio Guindane e grande elenco trouxeram um olhar humano sob uma paisagem cinza, ao discutir dramas pesados, nos obrigando a fazer reflexões bastante profundas sobre a dolorosa desigualdade social do Brasil. É verdade que tudo na série carrega um peso simbólico nada sutil, mas funciona para que, de alguma forma, nos coloquemos no lugar daqueles personagens.

Chernobyl


Creio que esse ano foi o que mais assisti a séries diferentes, seja na Netflix, no Now ou na HBO Go. Foi muita coisa boa (porque coisa ruim a gente para no meio, né, non?) – Elite 2 (cuja primeira parte elegi a melhor do ano passado), Stranger Things 3 (a melhor das três temporadas), a season finale de Game of Thrones (minha maior decepção), Special (episódios curtinhos, viciantes e cheios de carisma do protagonista), La Casa de Papel 3 (que rendeu texto meu aqui no Barba Feita), La Casa de las Flores 1 e 2 (outra grande queridinha minha, mas que peca às vezes na ingenuidade do roteiro), entre outras – e fiquei numa super dúvida de duas séries diametralmente opostas: Sex Education e Chernobyl. No final das contas, pela complexidade, mensagem e retrato fiel da realidade, fiquei com essa última como melhor produção de 2019 (sorry, Sex Education, love u!).

Chernobyl teve apenas cinco episódios e nos trouxe um olhar sobre um dos maiores desastres da humanidade (talvez o maior criado pelo próprio homem), reconstruindo às vezes fielmente os fatos e as imagens da época. Uma produção ocidental (produzida por Alemanha, EUA e Reino Unido), com abordagem correta feita sobre a União Soviética em sua decadência (algo difícil de se ver), criado por roteiristas que antes haviam trabalhado em Todo Mundo em Pânico e Se Beber Não Case (quem diria!).

Com uma história tão surreal que parecia ficção realmente e com atuações primorosas (destaque para Jared Harris, que faz o protagonista Legasov e o genial Stellan Skarsgard, na pele do ministro Boris Scherbina, um dos personagens mais interessantes da série), Chernobyl arrebatou público e crítica logo de cara, chegando a ser a série com melhor avaliação no site IMDB. Embora com muitas diferenças, pegou carona no vácuo de Game of Thrones na HBO e provou que o que o telespectador mais quer são histórias impactantes, bem contadas e bem produzidas. Se tem dragões fantasiosos ou um acidente nuclear que mais parecia de mentira de tão bizarro, pouco importa.

Chernobyl ainda teve o papel cívico de apresentar para toda uma geração nascida após o fim da década de 1980 o terror que foi a possibilidade de um real cataclisma nuclear, algo pouco refletido nos tempos atuais. E fica ainda a reflexão daquilo que as autoridades são capazes de fazer quando não tem a competência de estarem na posição em que estão: Chernobyl foi, sem dúvida, o marco do início do fim da URSS e isso fica evidente na produção da HBO. Um alerta muito atual a todos os governantes...

Fleabag (Segunda Temporada)



Apesar de sua priemira temporada ter sido lançada no longínquo ano de 2016, posso afirmar que 2019 foi o ano de Fleabag, série escrita e estrelada por Phoebe Waller-Bridge. A trama virou uma enorme sensação entre os fãs de séries após o lançamento de sua segunda e última temporada. A produção ganhou seis prêmios Emmys, incluindo de Melhor Série de Comédia. Caso tenha vivido dentro de uma bolha nos últimos meses, aqui vai a minha dica: assine a Amazon Prime, pagando só R$ 9,90 por mês e assista as duas temporadas, de seis episódios cada uma, desse enredo tão singular. É impossível não se apegar com a personagem principal, sentir pena, raiva, rir e chorar com ela. 

Fleabag é aquele tipo de série que você não sabia que precisava, mas é bastante necessária em sua vida. Vai fazer com que você reflita sobre a vida adulta de uma maneira bem própria. Sobre amizade, solidão, amor e tesão. Ou seja, terapia está em dia? Caso contrário já pode colocar também na sua listinha de prioridades para 2020.

Stranger Things (Terceira Temporada)

Foi difícil escolher uma série somente. Aliás, tarefazinha impossível essa. Por isso, selecionei quatro e uma delas que arrebatou meu coração este ano.

Ri demais com Sex Education (Netflix), uma comédia adolescente com a história do ótimo Otis (Asa Butterfield), que cria um serviço de terapia sexual a partir de experiências do convívio com sua mãe Jean (a Gillian Anderson, de Arquivo X), somente para ganhar dinheiro na escola com a ajuda da colega Maeve (Emma Mackey) e do hilário Eric (Ncuti Gatwa), seu melhor amigo, gay. The Umbrella Academy (Netflix) também foi outra divertidíssima. Já conhecia a história por conta da HQ criada por Gerald Way e pelo brasileiro Gabriel Bá. A trama tem início em 1989, com o misterioso nascimento de 43 crianças de mães que não estavam grávidas e são adotadas por um excêntrico milionário, que treina as crianças, com superpoderes, a combater o crime. Outra que mereceu destaque absoluto foi Segunda Chamada (Globo) que, semelhante o Sob Pressão, mostra, com muito realismo, conflitos de gente como a gente. A série, rodada em um ambiente educacional na periferia paulistana, discute temas importantíssimos como violência contra a mulher, preconceito, drogas e intolerância nas salas de aula e com um elenco afiadíssimo.

Mas, na minha opinião, a melhor série do ano vai para a terceira temporada de Stranger Things (Netflix), que começou meio lentinha e ficou completamente eletrizante. Nesse ano, com os personagens mais crescidinhos, começam a aparecer outros conflitos como a descoberta pela sexualidade e a dor da maturidade. Desta vez, os mistérios das forças sobrenaturais que assombram Hawkins tem um poder infinitamente maior e os adolescentes precisam combatê-lo. Destaque absoluto para a ótima Eleven (Millie Bobby Brown), o cientista Alexei (Alec Utgoff) e o sensacional trio formado pelos ótimos Steve (Joe Keery), Robin (Maya Hawke – filha de Ethan Hawke e Uma Thurman) e a H-I-L-Á-R-I-A e debochada Erica (Priah Ferguson), que cresceu na trama, rendendo os melhores momentos da nova saga, que já promete uma quarta temporada.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Unknown disse...

Olha sem dúvidas pra mim Chernobyl foi a mais impactante e assustador pois foi algo que de fato aconteceu, umas das melhores séries que já assisti!!