sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

1917 - Cinema com C Maiúsculo





Apesar de vivermos uma época totalmente voltada para o streaming, ainda sou fascinado pelo escurinho do cinema, tela gigante e cheiro de pipoca quentinha. Já quero deixar claro que amo a Netflix; e tenho absoluta convicção de que ela se agigantará ainda mais, pois o futuro é o streaming. Mas cinema é cinema, né? 

No fim da semana passada fui assistir 1917 e saí da sessão fascinado. Se analisarmos o filme em questão, ele tem um enredo até bem simples para os padrões hollywoodianos atuais. Mas tudo pode mudar e se tornar grandioso, dependendo da forma como é apresentada e contada. E esse é o grande mérito do filme, narrado a partir de um fragmento de um relato contado pelo avô do diretor Sam Mendes sobre Blake (Dean-Charles Chapman – que atuou em Game of Thrones) e Schofield (George Mackay), dois soldados britânicos que são enviados, através de um campo de batalha, para levar uma mensagem ao comandante de um regimento, cancelando um ataque aos alemães, que planejavam uma armadilha.

No filme, os dois iniciam uma corrida contra o tempo que pode salvar a vida de 1.600 soldados, entre eles, Joseph, o irmão de Blake, na batalha de Passchendaele, uma das mais sangrentas da I Guerra Mundial. No caminho, entre cenários desoladores de destruição, enfrentam vários percalços para cumprir a dura missão que lhes foi imposta. Já vimos algo semelhante em O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg, mas é impressionante como o filme não se transforma em pieguice ao transmitir a mensagem de que nunca devemos desistir perante às adversidades que nos são impostas pela vida.

Mas, o mais audacioso do filme é, sem dúvida, a direção. Sam Mendes, que já havia ganhado um Oscar em 2000 por Beleza Americana, fez um trabalho primoroso, pois a película transcorre em apenas dois planos-sequência – como se fossem duas grandes cenas e o espectador acompanha todo o sufoco e a tensão dos personagens, que avançam nos campos enlamaçados. A técnica não é uma novidade – Hitchcock já fez isso brilhantemente em Festim Diabólico, e cada vez mais diretores fazem uso dela, já comum em Hollywood. Mas, fazer isso em um filme de guerra, com a magnitude de cenários imensos e um exército de mais de 500 atores é uma tarefa que, por si só, já merece um Oscar. A direção de arte também é uma coisa de louco... A sequência em que Schofield foge entre as ruínas da cidade devastada é de encher os olhos!

Não por menos, 1917 está indicado a dez categorias, entre elas a de melhor filme e de melhor diretor. E, recentemente, foi o ganhador do Globo de Ouro na categoria de melhor filme (drama), desbancando O Irlandês, História de um Casamento, Dois Papas e Coringa. E, aguardem: também deve ganhar o Oscar. O único que poderá tirar o prêmio é o também sensacional Era Uma Vez em... Hollywood, de Tarantino. Portanto, façam suas apostas.

 
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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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