terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Limpando as Lentes Para Enxergar o Novo Ano Que se Inicia








A coluna de hoje, pode ser considerada uma continuação do texto da semana passada, quando falei sobre o fim de mais um ano. Se o mês de janeiro fosse um objeto, poderia considerá-lo uma espécie de óculos ou lupa. Uma lente capaz de nos ajudar a enxergar a nossa realidade de forma mais clara. A realidade mais próxima de nós, dentro de uma infinidade de outras realidades, mas que, mesmo tão próxima, muitas vezes não a percebemos.

Janeiro, de alguma forma, nos ajuda a descobrir a realidade mais íntima que nos constitui: a dos nossos pensamentos, sentimentos, desejos, afetos, emoções e comportamentos. Ajuda a enxergarmos a realidade das nossas maneiras de ser, agir, sentir e pensar – do que verdadeiramente somos, podemos e sabemos. Em uma só expressão, a realidade do nosso “eu”.

Janeiro corresponde à possibilidade de fazermos uma profunda autoanálise das nossas vidas, dos caminhos que já percorremos e dos rumos que queremos tomar. Não há, no ano, oportunidade de tantas reflexões espontâneas sobre o nosso passado e nosso futuro como as proporcionadas pelas características culturais de janeiro. 

Esse mês tem cara de domingo à tarde, onde uma onda de repercussão de tudo o que vivemos nos últimos dias e apreensão – especialmente à noite – em relação a tudo o que virá pela frente. E, talvez por isso tudo, janeiro pode ser comparado a uma lente capaz de nos ajudar a olhar para nós mesmos, como disse no início deste texto. Janeiro propõe começos (e recomeços), propõe planos, perspectivas e preparações. E, para tanto, propõe análises (do passado, do presente e do futuro), estudos, estratégias e recursos. Frente a tantas questões, dificilmente um pensamento não se sente tentado a olhar para si mesmo e a verificar as suas possibilidades, os seus desejos, os seus limites e os seus potenciais. Janeiro, assim, cheio de circunstâncias, ideias e simbologias, pode ser uma lupa por meio da qual ampliamos, para as nossas próprias considerações, as condições existenciais em que nos encontramos.

Janeiro... Janeiro tem tempo de sobra para nos empurrar à reflexão (afinal, é o primeiro mês do ano que tem 31 dias!), tempo recheado de simbolismos e circunstâncias com alto poder de nos convidar à retomar a vida (início de ano, todo resto do ano à frente, volta das férias…) e, principalmente, o fato de sabermos que não cabem mais as justificativas que usávamos para postergar novos projetos (como, por exemplo, “está todo mundo muito cansado”, “temos que esperar passar as festas de fim de ano”, “vamos esperar o ano começar e as coisas voltarem ao normal”).

Além disso, janeiro vem depois de uma enxurrada de congraçamentos e confraternizações afetivo-familiares de dezembro – fenômeno que, por si só, provoca uma intensa e inescapável mobilização de sentimentos e pensamentos que podem deixar muitas pessoas em uma intensa “ressaca” existencial no início de cada ano.

Sim, meus amigos: janeiro é uma lupa voltada para nós mesmos e nos oferece uma chance de escaparmos das automatizações comportamentais mecânicas às quais nos submetemos ao longo do ano anterior. E você, está com suas lentes limpas e realmente preparado para aproveitar bem essa nova oportunidade?

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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