sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Nada Muda Se Você Não Mudar





Essa era uma frase que eu tinha estampada em uma camiseta da Alternativa (uma marca que não existe mais) nos anos 1980. Usei essa camiseta até ela rasgar. Adorava ela. Era a minha versão da que o Cazuza usava e que se tornou um ícone: Prefiro Toddy ao tédio.

Lembro que em todo réveillon, lá estava eu com a mesma camiseta. Minha mãe e minha avó brigavam comigo... “você vai usar essa roupa velha?”... Mas não me importava... A mensagem era sempre a mesma... Na passagem do ano, eu era o próprio outdoor

Nada muda se você não mudar.

Chegamos a dois mil e vinte. No imaginário da minha adolescência, um ano tão distante quanto as mais longínquas galáxias. Na minha cabecinha, nos comunicaríamos por hologramas, transitaríamos em táxis voadores e transaríamos através do pensamento. Enfim, chegamos. E, como dizia Elis, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

Reclamamos muito de dois mil e dezenove. Definitivamente, não foi um ano para principiantes. Mesmo os mais calejados passaram um imenso sufoco. Foi um ano tempestuoso, com ondas fortíssimas e caixote em cima de caixote. Muitas vezes, a segunda e a terceira onda vinham e nem tínhamos tempo de tomar fôlego. Mas, mesmo tendo engolido muita água no meio do caminho, chegamos sãos e salvos na areia da praia com umas dores aqui, outras acolá, alguns arranhões e um cansaço extremo, mas chegamos! 

Muitos se perderam no caminho. Foram perdas lastimáveis, onde todos nós nos surpreendemos. E perdi amigos. Não somente pela morte irrevogável, mas simplesmente pelo desejo deles em se afastarem. Neste contexto, construíram-se muros inquebráveis; houve recusa ao diálogo e, simplesmente, eles saltaram de nossas vidas, deixando um vazio imenso e uma grande tristeza. 

É chegada a hora de construirmos um novo barco. Temos conosco todos os materiais necessários: fé, esperança, perseverança, coragem, resistência e amor. Com a experiência, construiremos um barco mais potente, que seguirá bravamente pelos caminhos que a vida nos oferece. E com positividade e confiança, certamente navegaremos em águas mais tranquilas e cristalinas. É só acreditar. Afinal, nada muda, se você não mudar! Feliz 2020!

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Márcia Pereira disse...

Feliz ano todo, amigo! Que seja pleno de bençãos e prosperidade!