sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O Velho Trauma da Infância Voltou





Já cheguei a comentar sobre esse assunto algumas vezes por aqui e, novamente, o tema ressurge. Quando eu era pequeno, eu tinha pavor de Ernesto Geisel, Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Mikhail Gorbachov e do Aiatolá Khomeini. Eles sempre pareciam tão sisudos na televisão e o mundo vivia aquele clima contínuo de guerra iminente. O Brasil vivia o seu período ditatorial. A guerra do Vietnã tinha durado 20 anos e eu achava que por causa da Guerra Fria entre Rússia e EUA, e perigo da bomba atômica era terrivelmente real. 

Thatcher e aquele seu penteado Aracy Balabanian me causava calafrios. Era notória a sua popularidade entre os ingleses, principalmente com as ações que ela adotou para reverter as dificuldades que o país sofria, após a recessão. Mas ela me dava medo por causa de seu jeitão ogro de ser – não à toa era chamada de “dama de ferro”. Thatcher, que teve importância vital na Guerra das Ilhas Malvinas, manteve sua linha dura até 1990, quando renunciou.

Khomeini era outro que me causava estranheza. Fundador da República Islâmica do Irã, o aiatolá – como é chamado na hierarquia religiosa entre os muçulmanos xiitas e tido como um descendente direto do profeta Maomé – controla a legislação do país, eleições, sistema judiciário e forças de segurança. Mesmo depois de três décadas de sua morte, é até hoje uma referência onipresente em quase todos os espaços públicos. Khomeini foi o responsável por extinguir, em 1979, a monarquia que durava há milhares de anos e derrubar, com a Revolução Iraniana, o último xá, Reza Pahlevi, que era um aliado dos EUA no Oriente Médio. Um ano depois, começava a guerra Irã-Iraque, que durou 8 anos. Khomeini desenvolveu em seu povo um amplo pensamento de repúdio ao imperialismo e a modernidade do Ocidente, além da defesa do Islã a todo custo.

Só pra vocês entenderem um pouquinho do que está acontecendo hoje – já que a história é cíclica - Reza Pahlevi chegou ao poder durante a II Guerra, depois que seu pai abdicou após uma invasão anglo-soviética. Durante o reinado do xá, a indústria petrolífera havia brevemente se estabilizado durante o governo de seu primeiro ministro, que foi derrubado por um golpe de Estado que teve patrocínio do Reino Unido e dos EUA, trazendo de volta as empresas de petróleo estrangeiras. Reza Pahlevi iniciou uma série de reformas econômicas, com a intenção de transformar o país em uma potência global. Aí veio a Revolução Iraniana liderada por Khomeini e o restante vocês já leram o que eu contei no parágrafo acima. Então já deu para compreender que o que os EUA querem não é nada de acabar com o terrorismo, né? É o ouro negro, gente... É nisso que eles estão de olho. 

Na primeira metade dos anos 1970, os exportadores de petróleo árabes cortaram o fornecimento para os países ocidentais após os ataques a Israel pelo Egito e pela Síria. O corte foi uma forma de retaliação contra o apoio dos EUA a Israel e isso gerou a crise do petróleo, já que o mundo era totalmente dependente do petróleo do Oriente Médio. Desde então, os EUA vêm armazenando milhões de barris de óleo em cavernas de sal subterrâneas, ao longo do Golfo do México, fazendo com que os americanos sejam donos da maior reserva estratégica de petróleo do mundo. 

Agora você está entendendo o motivo desse furdunço? Já viram que nos telejornais a Rússia e a China o tempo todo também são mencionados? Os países estão também entre os maiores produtores de petróleo no mundo, seguidos por Arábia Saudita, Canadá, Venezuela, Iraque e... Brasil. 

Não se enganem, amiguinhos... O que está acontecendo é somente a ponta do iceberg.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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