segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Divã: Trair ou Não? Eis a Questão!




Não acredito que eu, a pessoa mais certinha que eu conheço, estou escrevendo um texto pro seu divã. Na verdade, não busco conselho e sim contar uma história e ler a opinião dos outros, porque nada como pessoas de fora da situação para dar opiniões sinceras, não é mesmo? 

Na época em que comecei a sair com meu marido, eu estava chateada por ter terminado um namoro (foram só 2 meses, mas eu gostava do cara). Inclusive, na época, até avisei que eu ainda estava na fossa por causa do ex, mas ele disse que era pra eu ficar tranquila, que ele era paciente... Então deixei a vida me levar e fui dando espaço no meu coração pra ele. Deu certo, afinal de contas, ninguém fica tanto tempo junto sem gostar, não é mesmo? 

Acontece que aquele ex volta e meia reaparece de alguma forma, seja por iniciativa dele ou até mesmo minha. Sempre eram apenas mensagens de papo furado, coisa que se conversa com qualquer conhecido. Mas toda vez que vejo uma mensagem dele, vêm as borboletas na barriga. Sabe aquela história de ex bom é ex morto? É.. Não aprendi... 

Um belo dia, nessa de conversar assuntos aleatórios, dei uma provocada de leve e ele provocou de volta. O assunto foi esquentando e, desde então, dormir cedo já não era mais uma realidade pra mim... Ficava esperando por nossos encontros virtuais de madrugada. Até que um dia combinamos de tomar um café pra conversar um pouco e rolaram uns beijos (ô beijo bom). 

Ele fala de marcar pra fazermos algo só nós dois mas, por mais vontade que eu tenha, acabo ficando com peso na consciência... Tadinho do meu marido, poxa... Mas, vou te falar, tá difícil segurar esse fogo todo... 

A parte boa é que quem está tendo que ajudar a "apagar o fogo" é o marido... Mas o que eu queria mesmo era o ex...
Casada em Chamas

Confesso, quando essa amiga em especial me abordou dizendo que tinha uma história pra coluna Divã, eu ergui as sobrancelhas. Pensei: você, como assim??? Não é, Brasil, as pessoas sempre podem nos surpreender. E isso, a meu ver, é a maior graça do ser humano.

Indo direto aos fatos, eu preciso parafrasear a diva Pabllo Vittar: "é melhor se arrepender do que passar vontade". Porque sim, eu acho que ninguém é obrigado a nada nessa vida e prefiro bem mais quebrar a cara do que ficar me corroendo e me consumindo pelo vírus do "e se...".

É claro, algumas coisas precisam ser postas na balança. Você é casada. E fica a dúvida: como se aventurar sem botar em risco o seu casamento que, pelo que deixa transparecer, não apresenta nenhum problema? Quem disse que a vida seria fácil, né?

Eu recomendo sempre a honestidade. Acho mais fácil de se lidar com coisas claras e objetivas e, por isso, tento ser assim na minha vida e relações. Entretanto, sei que essa é uma situação da qual o que realmente está em jogo é a sua consciência e o que você pensa da própria moral. É aqui que vale também a pergunta: o que você julga como moral?

Conhecemos histórias a rodo de homens que tem casos extraconjugais e mantém seus casamentos e famílias sem grandes julgamentos da sociedade. Quando é a mulher nesse papel ela sempre é apontada e discriminada, culpa do machismo que ronda à nossa volta. Por isso, pesar isso também é importante: estou preparada para, em caso de ser descoberta, aguentar o peso da situação?

Porque, pela sua mensagem, algo já ficou claro: você está mais do que a fim, você tá é com um fogo no rabo absurdo para viver, nem que seja uma única vez, essa situação. E é agora que serei o advogado do Diabo e vou te jogar uma verdade na sua cara: já rolaram beijos, minha cara, ou seja, a traição já aconteceu. Somente pelo fato de já ter alimentado essa relação que terminou antes da sua com seu marido, o "crime" já estava sendo planejado.

No fim das contas, o que fica é a pergunta: a cama já está pronta? Deitará você nela ou ficará passando vontade?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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