sábado, 19 de dezembro de 2020

Barba Falha: Os Ranços de 2020

O clichê diz que "hates gonna hate" e, em alguns casos, ele é bastante verdadeiro. Entretanto, em 2020, o que o mais tivemos foi gente e coisas para odiar. Como o próprio ano, inclusive. Quanta gente desprezível e situações odiosas, pqp!

Com um inábil na presidência e imbecis à nossa volta ocupando os espaços e explodindo a nossa paciência, foi mais fácil ainda detestar quem mereceu. Trancados em casa, presos com nós mesmos mas com uma lupa voltada para o mundo e as notícias, o ranço reinou soberano.

Então, vamos à exposição? Com vocês, os ranços de 2020 para nós, colunistas do Barba Feita

Shame, shame, shame!

Marcius Melhem 
Por Leandro Faria
A bem da verdade, eu nunca fui com a cara e com o humor de Marcius Melhem. Achava a dupla dele com Leandro Hassum detestável, com um tipo ultrapassado de humor que nunca me agradou (e preciso confessar que, exatamente por isso, me surpreendi ao gostar tanto do filme Tudo Bem no Natal Que Vem, do Hassum para a Netflix). Mas também é inegável o bom trabalho de Marcius à frente da reformulação do humor na Globo, abolindo o famigerado Zorra Total, na criação do Tá no Ar e do novo Zorra, por exemplo, com uma pegada mais inteligente e crítica.

Exatamente por isso, é absurdo imaginar que um homem com ideias progressistas possa ser, em sua intimidade nem tão íntima, um típico macho lixo. As acusações de assédio detalhadas na reportagem da Revista Piauí são estarrecedoras. E a postura de Marcius depois do escândalo é ainda mais deplorável. Ranço define. 

Corona Vírus
Por Júlio Britto
Eu queria muito falar sobre a família inteira Bolsonaro; e também de todos os ministérios do seu (des)governo. Mas seria muito clichê. E seus apoiadores? Acho que conseguem me dar mais nojo que ele próprio. 
Entretanto, por tudo que nos fez passar até agora, por todas pessoas queridas que perdi (e perdemos), por tantas famílias destroçadas mundo afora, meu ranço é da COVID-19, o tal Corona Vírus. Espero que, em breve, assim como Trump, Crivella e (eu creio, em 2022), o Bolsonaro e sua corja, esse vírus seja dizimado das nossas vidas! 

Vem vacina! Vem 2021!!!!

J.K. Rowling
Por Paulo Henrique Brazão
Chega a ser triste olhar para tudo o que J.K. Rowling criou e pensar nela como o maior ranço de 2020. Fui leitor da primeira geração que acompanhou a chegada de Harry Potter ao Brasil, no início dos anos 2000. Terminei de ver todos os filmes pouco tempo atrás. O mundo fascinante, onde excluídos eram aceitos, no qual um dos maiores e mais queridos bruxos de todos os tempos era gay, em que o amor tudo curava e salvava, infelizmente não reflete o que se passa na limitada cabecinha de sua autora.

Com uma perseguição implacável a transexuais, com postagens em que tratava isso de forma implícita e muitas vezes explícita, J.K. simplesmente afirma que mulheres trans não são mulheres de verdade. Seu ódio gratuito àqueles que passam por tantos dramas e estigmas, que tem uma expectativa de vida muito menor do que pessoas cis e que simplesmente não são felizes com suas mentes dentro de seus corpos a tornou alguém abominável. Ao ponto do mestre Stephen King responder a um tuíte seu de admiração apenas com um “Sim. Mulheres trans são mulheres”, fazendo a transfóbica apagar a mensagem original.

Por essas e outras que aderi à onda de fãs de HP que prefere acreditar que a obra foi escrita por Britney Spears...

Biel
Por Silvestre Mendes
OLHAR PARA A CARA DELE FOI A PIOR COISA DE A FAZENDA. APENAS!

Felipe Prior
Por Marcos Araújo
Nem dá pra citar o óbvio, pois alguns “ranços” são hors-concours pra mim. Então, pulo essa parte “política”, pois esse ranço já está entranhado nas minhas veias. Portanto, esqueçamos aquela família (se é que me entendem), Weintraub, Damares, Guedes, Salles, a cara de deboche do Trump... 

Fora esse povo todo, além das pessoas que colocam as máscaras da maneira errada (e as que sequer as usam), das reuniões no Zoom, do jornalista Edmilson Ávila rabiscando o cenário do RJTV (sério, gente... isso me irrita profundamente), o troféu Ranço do Ano vai pra um cara que me tirava do sério toda vez que tinha que ver na telinha: o histriônico FELIPE PRIOR, que revelava sempre, o PIOR (com perdão do trocadilho) da parvalhice humana, repleto de comentários toscos, machistas e preconceituosos. 

Depois de sair da casa após um embate histórico com Manu Gavassi, Prior foi denunciado pelo MP, continuou com algumas declarações estapafúrdias e, recentemente, foi visto em uma festinha clandestina em SP. Apesar do ostracismo, o ranço é definitivo. 
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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