sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Preferidos do Barba: As Personalidades de 2020

Muito complexo ter que indicar as personalidades de um ano interminável e que praticamente não existiu. Um ano triste, com perdas irreparáveis. Um ano em que precisamos – por empatia – nos afastar das pessoas que amamos (que coisa surreal isso). Um ano em que vimos os profissionais de saúde, tantas vezes desmerecidos e desrespeitados, precisarem lutar na linha de frente contra um inimigo invisível. Um ano em que vimos negros sendo massacrados e literalmente sufocados pela hegemonia branca; um ano em que vimos mulheres sendo (continuamente) humilhadas. Um ano onde matas ardiam pelo descaso, um ano onde o negacionismo e a intolerância prevaleceram. 

Um ano para esquecer? Não! Um ano que precisa ficar sendo lembrado o tempo inteiro para que os mesmos erros não se repitam!

Assim, apesar dos pesares, temos nossos destaques e os dividimos agora com vocês!

Thelma Assis
Por Marcos Araújo

Uma mulher, brasileira, negra, que nasceu na periferia paulista e foi rejeitada pela mãe aos três dias de vida e que certamente precisou passar por todos os obstáculos das mesmas mulheres negras da periferia. Se tornou médica e a representação de uma história de luta e sucesso ao vencer a última edição do BBB20, um programa que acabou se tornando líder de audiência por exatamente ser o elo perdido entre o nosso mundo antigo e o “novo (a)normal”. 

A final do programa, com todos (ainda) trancafiados em suas casas, foi digna de uma Copa do Mundo. Thelminha, em todo o contexto em que estamos vivendo, se tornou uma personalidade com muito o que dizer.

Pedro Ottoni 
Por Leandro Faria
Pedro é um cara genial. Eu o conheci nesse ano, depois de alguém me enviar um de seus vídeos (sempre divertidíssimos) do Instagram. Jovem, negro, periférico e comediante, Pedro faz graça da merda de vida que estamos vivendo. Sem ser ofensivo e, muito ao contrário, sendo sempre relevante e essencial. Criador do ATORmentado, o seu canal de vídeos, ele já conta com 600 mil inscritos no Youtube, 756 mil curtidas no Facebook e 636 mil seguidores no Instagram

Em 2020, acompanhei alguns de seus passos. Seu número de seguidores aumentou, ganhou espaço na mídia (como esse menino faz publi, fico com inveja!), apareceu no canal de Felipe Neto e gravou um filme como interesse romântico de Maísa (Pai em Dobro, para a Netflix, com estreia prevista para 15/01/2021 - e já estou ansioso!).

Seus esquetes são MA-RA-VI-LHO-SOS. Sempre com ele interpretando todos os personagens e me fazendo morrer de rir. Inevitavelmente, eu compartilho seus vídeos com meus amigos e, com uma em especial, tenho até o hábito de ter conversas que começam com a seguinte frase, ditas por mim ou por ela: "amore, viu o vídeo novo do Pedro?".

Sucesso ao Pedro em 2021. Ele merece muito mais!

Pequena Lô / Deise do Tombo
Por Júlio Britto
Então, eu fiquei entre duas que estouraram já no terceiro quadrimestre: Pequena Lô e Deise do Tombo. Pessoas simples, como nós, e que são gente da gente. A primeira, que não se condicionou pela sua deficiência física para se reinventar e conquistou as redes fazendo esquetes de várias situações que todos nós já passamos algum dia ou ainda vivenciamos. Não tem como não se identificar. 
A segunda, depois de um tombo em que estava voltando do rolê bêbada e caiu dentro da casa de uma mulher, viu sua vida mudar e em uma semana ganhar 500 mil seguidores no Instagram. Ela conseguiu, ainda, promover uma ação para ajudar financeiramente a mulher que ela “invadiu” a casa, rolando escada abaixo, se tornando exemplo de alegria e solidariedade.

Joe Biden
Por Paulo Henrique Brazão
O ano foi de Joe Biden, o presidente eleito dos EUA. Após quatro sofríveis anos da maior nação do mundo nas mãos de Donald Trump, o Democrata, ex-vice presidente da era Obama, trouxe de volta a esperança em tempos de mais diálogo, de mais esclarecimento e de mais política feita em sua essência, pelo e para o bem da Democracia.

Eu nunca acompanhei uma eleição americana com mais interesse do que agora. Lembro-me até hoje do dia em que acordei e soube que Trump havia sido eleito em vez de Hillary Clinton. Um cliente meu americano, que morava em NY, o classificava de “a joke” (uma piada). Mas foi uma piada de mau gosto que se tornou real. E que fez o mundo cair num pesadelo de extremismo e construção de muros em vez de pontes.

Biden, com seu jeito moderado, fala mansa e histórico inspirador de vida, acabou representando a antítese disso. A chance de se resgatar tempos melhores não apenas para os EUA, mas para o mundo inteiro. Em seu discurso de vitória priorizou o combate à Covid-19, cuja relevância era negada pelo seu antecessor, e mencionou diversas vezes minorias como imigrantes, negros e LGBTQ como parte de seu Governo. Um verdadeiro estadista.

Manu Gavassi
Por Silvestre Mendes
O ano foi dela. Primeira a entrar na casa do BBB20, Manu iniciou esse momento lendário da melhor maneira possível, ficando chocada com a grama artificial do gramado. Ela também foi responsável por revolucionar o mundo dos realities, postando conteúdos colados na TV, com direito de manter o mesmo figurino. Manu, essa cantora, atriz e ex-BBB, me fez torcer para que vencesse Paredão, Prova do Líder, Prova do Anjo e tudo mais...Só queria saber qual vídeo seria publicado em sua rede social depois do acontecido dentro do reality.
 
E mesmo fora da casa mais vigiada do Brasil, Manu entregou um dos melhores clipes de música pop de 2020 (e a música foi escolhida pelo Leandro Faria como uma das Melhores do Ano em nossa coluna sobre o tema). Com inúmeras referências e a participação de Glória Groove, Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim veio mostrar que o poder da pequena grande notável está só começando.
Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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