quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Preferidos do Barba: Maiores Saudades do Mundo "Normal"

2020 e as relações humanas. Esse é um TCC que estou louco para ler e não duvido que esteja sendo produzido neste exato momento. Acho que o maior uso das redes sociais e a possibilidade de fazer chamadas em vídeo, usando o nosso querido e amado celular, possibilitou e muito que a gente se sentisse perto, mesmo longe. Foi o acalento para inúmeras pessoas que moram sozinhas ou distante da família.

Apesar de amar os meus amigos, sentir falta de uma boa e velha mesa de bar, preciso admitir que minha maior saudade não inclui o levantamento de copos, mas a boa e velha arte do escurinho silencioso.

Cinema
Por Silvestre Mendes


Lembro até hoje da liberdade que senti em ir, pela primeira vez, ao cinema sozinho. E não assisti qualquer filme, mas o icônico Moulin Rouge. Ou seja, 19 anos atrás comecei esse bom hábito de me acompanhar dentro de uma sala de cinema. E essa é a maior saudade que carrego durante este ano. 

Me vi próximo dos meus amigos, mesmo que fisicamente distante. Me vi preparando drinks em casa... Mas me mantive fora de uma sala de cinema e isso dói.

Que em 2021, mesmo ano que completa 20 anos desde que vi Moulin Rouge na tela grande pela primeira vez, eu possa comemorar a data como se deve: indo ao cinema.

Shows / Karaokê da Feira de São Cristóvão
Por Marcos Araújo
Sempre fui macaco de auditório de ficar lá na fila do gargarejo, passando perrengue, com sede, sendo amassado e imprensado nas grades. Amo tudo isso, pois show sem suor, não é show! E bateu aquele saudosismo de shows incríveis que tive o prazer de comungar (sim, no sentido litúrgico mesmo, pois show, pra mim, é religião): Queen (o original), David Bowie, Prince, Bob Dylan, Echo and the Bunnymen, Prodigy, The Cure, Madonna, REM, Titãs, Ramones, Pixies, Alice in Chains, Nirvana, Tears for Fears... Aquela energia dos fãs, que se misturam com gritos, lágrimas e abraços generalizados de quem você conheceu dois minutos antes não tem preço. O último show que eu vi antes dessa loucura toda foi o do Metronomy, no Sacadura 154, e isso faz exatamente 1 ano. Parecia que eu já estava prevendo: naquela noite cantei todas as músicas, a plenos pulmões. 

Outra coisa que eu sinto muita saudade é de berrar, sim, “berrar” naquelas vielas em barzinhos bem pés-sujos com um karaokê com o microfone falhando, na Feira de São Cristóvão. Tenho saudades daquelas listas sebentas que todo mundo metia a mão e que se despencava dos plásticos para tentar enxergar, no escuro, o número correto da canção e meter a fichinha na máquina. Não existia essa coisa de higienização: aliás, quanto mais sujo, mais legal; um estranho que virava seu melhor amigo acabava de cantar e a gente pegava o mesmo microfone, todo cheio de cuspe e, sem nenhum pudor, encostava na boca. E ainda chamava o novo amigo para fazer dueto.

Abraços e Sorrisos e Carinhos Sem Ter Fim
Por Leandro Faria
Eu sou uma pessoa de toques. E de sorrisos. E de olhares. Mas 2020 me tirou os sorrisos (que ficaram sob as máscaras) e os abraços, me deixando apenas com os olhares, muitas vezes cansados, das pessoas que encontro pelo caminho. 

Sinto falta de aglomerar, de estar com meus queridos sem a preocupação na cabeça de estar contaminando/sendo contaminado por esse vírus maldito. Quero abraçar, beijar e sorrir como se não houvesse amanhã. Sinto saudade de ver os meus amigos, todos eles, sem distanciamento social. 

Enquanto isso, canto Tom Jobim, ansiando pelo momento em que poderemos enfim dizer Chega de Saudade.

Abraços
Por Júlio Britto
Cara, minha maior saudade abarca muita coisa: ABRAÇO! 
Não digo que nem dos meus amigos próximos (porque quem me conhece sabe o quão sou dado), mas todas as pessoas que tenho algum tipo de contato falam do meu abraço. Talvez essa seja a minha marca registrada porque eu AMO ABRAÇAR! E essa ação, por conta dessa droga de vírus é uma das muitas que eu não posso fazer hoje em dia. 

Que venha a vacina, de onde for, para eu abraçar todo mundo que eu ver pela frente!

Viajar
Por Paulo Henrique Brazão
Viajar para mim sempre foi justamente a forma de compensar dias tão duros e meses de trabalho intenso. E ver que em 2020 as viagens foram apenas lembranças em #TbT foi claramente uma das minhas maiores saudades da vida pré-pandemia. 

Poucos dias antes da pandemia nos afetar aqui no Rio de Janeiro eu havia programado pelo menos três viagens. Todas no ápice da crise sanitária que vivemos. Àquela época, antes do Carnaval, não imaginava que seríamos tão afetados. Quando as cidades entraram em quarentena, todos os voos foram remarcados e ninguém poderia circular entre cidades, ficou claro que nunca mais seríamos os mesmos. Provavelmente mesmo após a vacina, vários protocolos de segurança em saúde serão mantidos em aeroportos, aviões, hospitais... 

Mesmo agora, após o restabelecimento da malha aérea (ainda que bem menor) e com a possibilidade de circular também de carro para um turismo mais próximo, ter ainda as cidades afetadas em seu funcionamento nos impedem de fazer as viagens como gostaríamos. Por enquanto, ficam as saudades de “trocar a roupa da alma”, como dizia Mario Quintana.
Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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