segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Preferidos do Barba: Melhores Filmes e Séries de 2020

2020 será para sempre um ano histórico. Um ano que chegou prometendo muito e nos atropelou sem piedade, sem tempo algum para pensarmos no que estava acontecendo. De uma hora pra outra, planos foram desfeitos e a vida entrou em outro ritmo, outra pegada. Tivemos de nos despedir de pessoas, de repensar atitudes, de nos recolhermos e aprendermos a viver em isolamento. 

E, muitas vezes vezes durante esse ano, foi a arte que nos consolou e nos fez companhia. Logo ela, tão perseguida pelo atual governo brasileiro, tão desprezada pelos ratos que saíram dos esgotos nos últimos anos. Foi a arte que nos alimentou, que nos emocionou, que nos fez fugir da realidade que, muitas vezes, pareceu uma distopia cinematográfica ou seriada. 

Se para o cinema, o ano não pode ser considerado dos melhores, para as séries, ele foi incrível. Diversas produções ganharam nossa atenção e viraram assunto. Por isso, nada mais justo do que começar a nossa semana de Preferidos do Barba com essas produções: os Melhores Filmes e  as Melhores Séries de 2020.

MELHORES FILMES DE 2020

Quase Uma Rockstar (All Together Now)
Por Leandro Faria

Eu DE-TES-TO o nome desse filme em português, porque ele não faz justiça à essa pequena obra de arte lançada pela Netflix. Sério, gente, que filme maravilhoso. O que para mim seria apenas uma história adolescente bobinha, se mostrou um filme emocionante, com um roteiro cativante e atores absolutamente à vontade em seus papéis. 

Baseado no livro de Matthew Quick, o longa é um filme bonito que, sinceramente, me arrancou lágrimas inesperadas. Talvez por isso eu tenha gostado tanto dele. All Together Now é, provavelmente, um dos melhores filmes jovens com o selo original Netflix do serviço de streaming. Se ainda não o assistiu, faça isso e não se arrependerá. 


Convenção das Bruxas (The Witches)
Por Júlio Britto

Meu “editor-chefe”, Leco Faria, já foi me censurando dizendo que eu não poderia escrever muito (por que será?) e como gastei boa parte do meu espaço para falar da série que escolhi (e vocês verão depois da lista de filmes), serei beeeem breve para falar de cinema. 

Enfim, não assisti tantos filmes em 2020, logo, não tenho muito o que opinar. Mas na retomada dos cinemas (uó, com distanciamento social), nos arriscamos aqui em casa, nos vestimos de astronautas e fomos assistir Convenção das Bruxas. É um filme divertido, tendo em mente que é para crianças, porém, o clássico consegue ser melhor em muitos quesitos. Os ratos falando e andando trazem uma vibe meio Ratatouille que pode divertir como um filme de domingo ou da Sessão da Tarde. Portanto, marmanjos, talvez não seja um filme para nós. 

Um dos pontos positivos é a Anne Hathaway (belíssima, como sempre). Como eu disse ali em cima, é divertido, então, nesse quesito, ele está ok.


1917
Por Paulo Henrique Brazão

Pensar em 2020 como um ano para o cinema não foi fácil... E, talvez aí tenha sido a virada definitiva de chave para quem tinha algum preconceito com as películas feitas para os streamings. Ainda assim, para mim, o melhor filme do ano foi visto nas telonas, antes da Pandemia: 1917, de Sam Mendes, um dos favoritos ao Oscar (que esbarrou no fenômeno Parasita – merecidamente, aliás). Feito como um grande plano sequência (dá para ver que não é exatamente, o que não invalida a genialidade de nos fazer acreditar), o filme impacta visualmente (fotografia, cenografia e efeitos visuais – esses, tão perfeitos que há cenas que você não tem noção de como foram feitas, como em uma queda de avião, por exemplo) e tem um lado absurdamente humano em meio à Primeira Guerra Mundial (muito menos explorada do que a sua irmã mais nova, a Segunda Guerra). 

O talentosíssimo Sam Mendes (Beleza Americana e Estrada para Perdição) nos traz a história de um irmão que deve, junto a um colega do exército, chegar ao destacamento onde se encontra seu irmão mais velho para dar um importante aviso a respeito dos avanços contra as tropas inimigas. Lembra levemente O Resgate do Soldado Ryan, de Spielberg. Com essa premissa simples, o caminho em meio ao horror da guerra em terras francesas é o grande atrativo do filme. A ideia do plano sequência só engrandece a imersão na experiência, nos aproximando da violência, da exaustão e da tristeza que somente os campos de batalha conjugam tão bem. Impossível não sair impactado... 

Menção honrosa também para O Homem Invisível, uma releitura de uma história já contada outras vezes mas que inseriu o tema do assédio moral às mulheres de forma genial; o belo JoJo Rabbit; o divertido Aves de Rapina (o último que vi no cinema antes do fechamento pandêmico); e o cafona Eurovision (Netflix), um musical que brinca com todos os clichês possíveis e faz a gente cantar a sua música principal depois de acabar.


Atrás da Estante (Circus of Books)
Por Silvestre Mendes

Me apaixonei por esse documentário em 2020. Atrás da Estante, que no original se chama Circus of Books, conta a história de um casal, Karen e Barry Manson, que sem planejar tornaram-se os maiores distribuidores de filmes pornôs nos Estados Unidos no final da década de 70 e início dos anos 80. 

Com inúmeras camadas, o documentário narra a trajetória de um casal comum com uma vida simples e também dos filhos, que não faziam ideia de com o que os pais trabalhavam. Imperdível!


Jojo Rabbit
Por Marcos Araújo

Categoria que foi complicada de escolher, pois com a pandemia, as salas foram fechadas e as produções cinematográficas, suspensas. E o mais engraçado é que, olhando para trás, até parece que faz muito tempo que vi 1917 e aquele plano sequência fenomenal. Ele certamente teria sido meu filme favorito de 2020 se, na semana seguinte, uma semana antes dos cinemas fecharem, eu não tivesse ido em uma última sessão, assistir a Jojo Rabbit, que arrebatou meu coração: a história do menino alemão da juventude Hitlerista (que tem o próprio führer como amigo imaginário) e descobre que sua mãe está escondendo uma menina judia no porão de sua casa. 

Um filme lindo, que aposta no humor para criticar a intolerância.

---

MELHORES SÉRIES DE 2020

The Boys (Segunda Temporada)
Por Leandro Faria

Sério. Que temporada foda. Se em seu primeiro ano, The Boys nos apresentou a um mundo louco em que super heróis existem e capitalizam em cima disso, na segunda temporada a série se aprofundou em seus personagens, expondo o pior de cada um deles, sendo graficamente violenta e explícita e, exatamente por isso, maravilhosa. 

Fora que a temporada se encerra com uma frase de Stormfront, que já é emblemática, por ser extremamente atual:

"As pessoas adoram o que eu tenho a dizer, só não gostam da palavra 'nazista'."

Menções Honrosas e necessárias de séries imperdíveis que chegaram até nós em 2020: Love, Victor (necessária), I May Destroy You (obrigatória), The Umbrella Academy (com uma segunda temporada que supera a primeira, que já é genial), Bom Dia, Verônica (impactante e fodástica, tudo que uma série nacional precisa ser) e Mansão Bly (que é uma história de amor embalada como uma história de fantasmas).

A5 Five
Por Júlio Britto

A série original da Globoplay, criada e escrita por Cao Hamburger e inspirada nas cinco meninas paulistas protagonistas da temporada de Malhação – Viva a Diferença, me instigou a ver o que o que Benê (Daphne Bozaski), Keyla (Gabriela Medvedovski), Tina (Ana Hikari), Lica (Manoela Aliperti) e Ellen (Heslaine Vieira) estariam fazendo seis anos após se formarem no ensino médio, onde no final da temporada no canal aberto prometiam nunca se separarem. As cinco, tomaram rumos bem diferentes e a série em nada lembra a trama água com açúcar adolescente original. 

Já amei o primeiro capítulo, onde elas se reencontram no velório de Mitsuo (mãe de Tina). A partir disso, o desenrolar com temas que agora flertam com a passagem para a vida adulta, onde as irresponsabilidades dão lugar a responsabilidades dão o tom certo e gostoso para acompanhar a história. 

Benê é uma jovem tímida e metódica que estava com a vida estabilizada trabalhando como musicista, até que o seu então namorado Guto revela que é gay, fato que a abala completamente. Ela acaba conhecendo Nem, rapaz que lhe traz novas experiências e descobertas. Agora recém demitida, Keyla tem dificuldades para se estabilizar profissionalmente e criar o filho Tonico, que teve na adolescência, ainda na temporada da novelinha. Porém, está determinada a reconquistar as coisas que deixou para trás e conta com Tina para ajudar a recuperar sua estima com dicas de estilo da amiga. Tina engrena sua carreira como DJ, mas seu casamento com Anderson está em crise e ela ainda precisa lidar com a recente perda de sua mãe, mas segue fazendo sucesso em seu trabalho. Lica segue perdida na vida e, em meio aos desdobramentos que passa para deixar de ser uma eterna adolescente, precisa encarar as suas amigas e Samantha, sua ex-namorada, que no fundo é de quem ela gosta. Já Ellen passou todos esses anos morando fora do país (sempre estudando) e, ao retornar para o Brasil começa a rever suas prioridades e diante de alguns conflitos, deixando incertos seus planos que havia feito para o futuro e em relação ao seu namoro com um americano. 

Entre os conflitos e as dificuldades da vida adulta, elas percebem que os laços de amizade até então esquecidos nunca deixaram de existir. 

Talvez, esse reencontro do Barba Feita, sob minha visão romântica da vida, poderia ser uma analogia às Five. Seríamos nós, Benê (PH), Lica (Leco), Keyla (Sil), Tina (eu, Julico) e Ellen (Marquito), uma releitura dessa série? Só o tempo dirá... 


Vis a Vis
Por Paulo Henrique Brazão

Para mim, a melhor série de 2020 foi, sem dúvida, The Boys. Mas como ela já foi escolhida e abre essa coluna, vamos focar em outra que dominou meus momentos livres no início da Pandemia: a espanhola Vis a Vis

Que eu sou um fã do audiovisual espanhol, não é novidade para quem me acompanha aqui no Barba Feita. Apontei aqui como favorita em outros anos Elite, mencionei La Casa de Papel... Vis a Vis é do mesmo criador desta última e é superior. Assisti às cinco temporadas esse ano (as quatro regulares e a quinta, uma espécie de spin off, chamado Vis a Vis – El Oásis). Estou levando em conta aqui o conjunto da obra, em especial as brilhantes duas primeiras temporadas. As duas últimas e, especialmente, o spin off não estão no mesmo nível (El Oásis, inclusive, é bem decepcionante em algumas soluções, embora dê um destino definitivo às duas protagonistas). 

Vis a Vis começa com a prisão de Macarena Ferreiro (Maggie Civantos), que tem plena convicção de que sairá logo, pois provará sua inocência. Logo no seu primeiro dia, ela se depara com Zulema Zahir (Najwa Nimri – conhecida também como a inspetora Alicia Sierra, de La Casa de Papel), a mais temida presa da penitenciária Cruz del Sur. Aos poucos, a inocente Macarena começa a se complicar na cadeia (e fora dela) e aprende a lidar com as criminosas que a cercam, passando pelo clássico arco de transformação da mocinha. 

Com episódios relativamente longos (mais de uma hora de duração nas primeiras duas temporadas), o ritmo e a estética da série são de filmes muito bem acabados. Além de um roteiro e atuações que nos prendem capítulo após capítulo.


I'm Not Okay With This
Por Silvestre Mendes

Entre a lista de coisas que não vou entender de 2020, as decisões de cancelamento da Netflix estão no topo da minha lista. I'm Not Okay With This narra a vida de Sidney (Sophia Lillis), uma adolescente com problemas de relacionamento com a família e totalmente infeliz no colégio, quem nunca? Mas quando sua melhor amiga, Dina (Sofia Bryant) começa a namorar um valentão do colégio e o vizinho esquisito, Stanley (Wyatt Oleff), começa a dar em cima dela é que Sidney percebe que coisas estranhas acontecem ao seu redor. 

Cheia de referências pop e com diálogos afiados, a série foi um dos melhores lançamentos do ano pela Netflix, mas que acabou cancelada por conta da COVID 19.


Bom Dia, Verônica
Por Marcos Araújo

Em um ano em que praticamente ficamos em casa o tempo inteiro, as séries foram nossa companhia inseparável, sem dúvida. Minha indicação de melhor série de 2020 vai para Bom dia, Verônica, baseada no livro de Raphael Montes e Ilana Casoy, que havia recebido minha indicação como Melhor Livro (Lido) no ano passado por aqui. 

Apesar de achar o livro bem mais “sujo e pesado”, a versão televisiva para o thriller é bem caprichada, com direção ágil, fotografia impecável e cores macabras. Entretanto, no livro, a personagem Verônica é dúbia e, de certa forma, sem um senso moral. Já na versão para a Netflix, a personalidade de Verônica foi construída com todo aquele conceito da jornada do herói, mas muito bem trabalhada pela ótima Tainá Müller e atuações impecáveis de Eduardo Moscovis (o atroz Brandão) e Camila Morgado (que interpreta a frágil e submissa Janete). 

Ao longo de seus oito episódios, Bom dia, Verônica prende e conscientiza o espectador sobre um importante tema, que precisa ser mais debatido na sociedade: a violência doméstica. E pra quem viu e curtiu, preparem-se: a segunda temporada tá garantida.

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter
A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Nenhum comentário: