sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Cinquenta





Provavelmente eu seja um cara meio aferventado por ter nascido em um ano pra lá de frenético, pois foi marcado por fatos inesquecíveis. O ano de 1969 foi privilegiado em tantos avanços científicos e tecnológicos que hoje é impossível ver a vida sem aqueles grandes passos.

Já que estamos falando de passos, não podemos deixar de iniciar com os mais famosos que foram marcados naquele ano: Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua. Depois de viajar quase cinco dias para chegar, ficaram por lá por duas horas e quarenta e cinco minutos... Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade, disse o astronauta. Eu ainda estava na barriga da minha mãe, mas certamente ela se arrepiou vendo aquelas imagens na tevê em preto-e-branco e cheia de chuviscos.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Ainda Bem Que Eu Sou Flamengo





O dia do lançamento do nosso livro, Barbitúricos, também foi muito importante para mim por outro motivo. Muitos sabiam que eu estava inquieto porque era a final da Copa Libertadores da América de futebol e o meu time, o Flamengo, a estava disputando pela primeira vez em 38 anos (ou seja, eu nunca havia visto tal oportunidade). Futebol é um assunto raro aqui no Barba Feita (e creio que só apareceu pelas minhas mãos - talvez pelas do Marcos Araújo, se não me engano). Pode parecer superficial, mas nesse dia (e nos que se sucederam) foi muito possível comprovar que futebol é muito mais do que um monte de homem correndo atrás de uma bola.

A cidade estava mobilizada para o jogo. Boa parte do país estava. Afinal, o Flamengo tem mais de 40 milhões de torcedores. Isso é cerca de 1/4 dos brasileiros, mais do que um Canadá e quase uma Argentina inteira - aliás, o rival River Plate era justamente o segundo time mais popular da Argentina. Eu saí correndo do lançamento, atravessei a Avenida Presidente Vargas vazia (digno de uma final de Copa do Mundo - ou da novela Avenida Brasil), e me enfiei num boteco pé sujo onde eu sabia que uma amiga que havia ido aos autógrafos estava. Já havia começado o segundo tempo. Nunca imaginei tal situação...

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

É Tempo de Festa! Feliz Aniversário, Menino Furacão!





Dia 4 de dezembro é amanhã. Nele, comemoramos, na Igreja Católica, o dia de Santa Bárbara, que na umbanda e no candomblé, é conhecida como Iansã, Orixá dos ventos e das tempestades. O nome Iansã é um título que Oyá recebeu de Xangô. Esse título faz referência ao cair da tarde e pode ser traduzido como "a mãe do céu rosado" ou "a mãe do entardecer". Xangô a chamava de Iansã, pois dizia que Oyá era radiante como o entardecer ou como o céu rosado e é por isso que o rosa é sua cor por excelência, embora ela se manifeste também através do amarelo, marrom e vermelho. Seu dia da semana é quarta-feira. E é nesta quarta-feira, coincidentemente, que se comemora o aniversário do homenageado deste texto. O menino furacão, Marcos Araújo

Não menos coincidente, a personalidade deste cara tem muito a ver com tudo que Iansã representa. Seu raciocínio é rápido e reluzente como o raio. A coragem, lealdade, franqueza e a busca constante por transformações materiais, avanços tecnológicos e intelectuais e a luta contra as injustiças também são traços fortes de seu comportamento. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Estrada Velha da Tijuca ou Jardim das Delícias Terrenas





"Hoje eu vou servir o vinho. Hoje a noite é minha. Hoje consigo. Claro que consigo."

A inveja pode suscitar sentimentos e reações curiosas. Uma delas afligia C. A vingança. O sentimento é normal, eu sei. O curioso é o fato que ninguém além dele saberia ou reconheceria o ato como vingança.

F. tinha um compromisso. Ficou sabendo quase sem querer, por amigos comuns. Os adjetivos que lhe passaram pela cabeça não podem ser transcritos aqui sem as devidas tarjas pretas exigidas pelo estatuto de crianças e adolescentes.

Se mordeu ao pensar em outros olhares atingindo o corpo de F. Quão ousados eram tais atos? Não de quem era olhado, mas de quem olhava. Malditos olhares. A ousadia de F. era deixar-se tocar por mãos alheias. Sabia de sua predileção pelas mãos alheias. Já havia visto uma vez e não gostava de relembrar.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

A Vida Nos Ensinando a Mudar





Semana passada foi a primeira vez em anos que eu não consegui preparar o texto da coluna. Imaginei que ninguém perceberia, mas fui surpreendido no fim do dia, quando várias pessoas enviaram mensagens perguntando o motivo do texto não ter sido publicado. É engraçado isso... A gente volta e meia acha que o que a gente escreve aqui, morre aqui. Mas não... De alguma forma, as palavras encontram alguém. Pessoas nos aguardam. E certamente é isso que acaba nos impulsionando.

O motivo de não ter conseguido publicar foi uma baita colelitíase, ou mais conhecida como crise de vesícula, que me derrubou. Fui parar no hospital com muitas dores e crise hipertensiva. E para piorar, devido à junção de dois medicamentos na veia, tive um certo surto psicótico – a tão chamada reação extrapiramidal, que quem já teve, não esquece. É uma doideira que provoca muita ansiedade, agitação, aperto no peito, falta de ar, angústia, movimentos involuntários e uma vontade louca de esganar quem está passando na sua frente.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Amor de Mãe





Minha mãe é nordestina, daquelas que saíram bem novinhas da sua cidade natal em busca de uma vida melhor para ela e os pais. Sim, durante muito tempo o seu salário como doméstica era para se manter aqui e ajudar a família, enviando um pouquinho todo mês.

Assim foi com a minha mãe, tias, tios, primos... Eu já nasci no Rio de Janeiro. Filho de uma nordestina e um baiano, uma mistura boa. Posso dizer que bem Carioca!

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Barbitúricos Chegou




O último fim de semana foi de muitas emoções para mim. A mais relacionada ao meu trabalho aqui neste blog foi o lançamento do nosso livro Barbitúricos, que juntou 20 crônicas de cada um dos cinco colunistas do Barba Feita. Como quem me lê aqui geralmente sabe, já lancei dois livros meus, em 2012 e 2016, e participei de uma coletânea antes, em 2009. Mas um novo livro é como um novo filho: nenhum é igual ao outro.

Barbitúricos me permitiu algo que nenhum dos meus livros anteriores conseguiu: ter um recorte do que eu realmente penso, e não do que eu imagino, como nas minhas ficções. São coisas muito distintas e agradar leitores de um dos gêneros não é tão fácil quanto de outro. O resultado? Só veremos com o tempo....