terça-feira, 2 de junho de 2020

O Copo de Leite





Juro que gostaria de acreditar que eles são um amontoado de inocentes.  Mas, infelizmente, a cada dia que passa, os fatos me apresentam a certeza do que muitos não querem enxergar.  Não se iludam, amigos, não se iludam.  E tentem entender de uma vez por todas que nada ocorre por uma simples coincidência ou acaso, pois tudo é milimetricamente pensado.  Tudo tem seu papel para criar a polêmica e desviar a atenção dos fatos que realmente importam. Tudo é enquadrado para que os intelectuais realmente percebam as reais intenções que estão por trás de tudo.

A analogia é notada por poucos.  Muito poucos.  E se esse bocadinho de gente gritar ou espernear, eles dirão que estão completamente loucos.  Isso gerará um debate nos principais jornais e dará caminho para a boiada passar.  Os que caíram no feitiço, ainda hipnotizados, agredirão e humilharão quem entendeu o recado. 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Valéria: Vale a Pena Conferir a Nova Série Espanhola da Netflix?





Quatro amigas com personalidades distintas e que se encontram em fases diferentes da vida, não é uma premissa inédita, mas é o ponto de partida para entender o universo da nova série da Netflix: Valéria

A personagem título sonha em ser escritora, tem pouco dinheiro em sua conta no banco e vive um casamento em crise, mesmo que essa ficha ainda não tenha caído... Nem para ela e, principalmente, para o seu marido Adrián (Ibrahim Al Shami J.), com quem é casada há seis anos. Enquanto Valéria (Diana Gómez) quer investir o tempo em seu livro, o marido quer que ela ajude a pagar as contas. Ela espera apoio, mas acaba recebendo pressão para arranjar um emprego.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O Brasileiro Médio





O brasileiro médio é viajado. Tem passaporte, conhece alguns países, visita museus e se acha culto. Viveu o boom econômico, andou de avião, construiu um pequeno patrimônio e tem orgulho de quem se tornou. Ou então nunca fez nada disso, mas age como se fizesse e se ressente muito por não ter tido esse tipo de experiência, porque se julga melhor que os demais à sua volta e um injustiçado pela sociedade.

O brasileiro médio se acha americano. Ama a livre economia, gosta de comprar e de gastar o suor de seu salário não se furtando de, algumas vezes, estourar seu limite ou parcelar à perder de vista para viver uma experiência ou ter realizado o seu sonho de consumo.

O brasileiro médio se acha rico. Com uma renda anual que não passa dos R$ 150 mil, tem pavor de imaginar a taxação de grandes fortunas e acha que o lucro das grandes empresas é dele. Defende a exploração sem perceber que ele próprio é explorado. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Mais um Carnaval Pra Conta!





Se eu pudesse, criaria um decreto: teríamos carnaval por 360 dias. Descansaríamos quatro ou cinco dias e numa sexta-feira qualquer, recomeçaríamos a festa, que seria incessante. O Carnaval é isso: uma festa que, apesar de oficialmente possuir cinco dias, a expectativa extrapola. É definitivamente a maior festa que temos. É o período em que retiramos as nossas máscaras e colocamos outras - aquelas que permitem que sejamos verdadeiros! 

Em cada esquina, os tradicionais baticuns se intensificam, assim como a morenice dos cariocas e a mistura dos sotaques na Babel dos trópicos. Carnaval é essa zona organizada dos bloquinhos, o furdunço do setor 1, local onde dividimos o espaço apertado, a cerveja, o sanduíche de queijo com presunto embalado no papel alumínio, os risos e as lágrimas com o amigo inseparável que você acabou de conhecer.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Não Se Leve a Mal, Mesmo no Carnaval...





Mais um início de carnaval e a história se repete: a festa continua dividindo opiniões. Há pessoas que morrem de amores pela folia e há aquelas que odeiam. Os motivos são muitos, para os dois lados. Não há como negar, porém, a importância que estes dias têm no calendário brasileiro.

Convencionou-se dizer que o ano só realmente começa, neste país, depois do carnaval. E, em parte, há verdade nisso. É preciso levar em conta, também, que esses dias são propícios para todo mundo: há uma infinidade de coisas que podem ser feitas – ou até mesmo não feitas – ao longo destes dias. Há maneiras de viver o carnaval para todos os gostos. Nas avenidas, nos blocos de rua, nos retiros religiosos e até mesmo nas maratonas de seriados que viraram moda nos últimos anos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Divã: O Que Fazer Quando Ele Está Afim, Mas Não Me Convida Pra Sair?





Olá, Leco!

Há alguns anos um rapaz me adicionou pela internet e começamos a conversar. Por coincidência iríamos passar o carnaval no mesmo lugar e, uma vez lá, ficamos. Depois do carnaval ficamos conversando por muito tempo, mas como ele nunca me chamou pra sair, deixei pra lá fui viver minha vida e ele a dele. 

Alguns anos depois nos reencontramos novamente no carnaval. Ficamos de novo e todos comentavam que dava pra ver que ele é muito apaixonado por mim. Mas dessa vez, não perdemos o contato, conversamos TODOS OS DIAS (quase toda hora) e ele sempre parece muito apaixonado, diz que não quer me perder de novo e aquele discurso todo. PORÉM, ele nunca me chamou pra sair DIRETAMENTE, e eu não entendo o porquê, já que ele se mostra tão apaixonado. 

Então, qual a sua opinião? O que eu faço?
Mais Que Um Amor de Verão

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Silenciar é Uma Maneira de Deixar de Existir





Ano passado assisti a um espetáculo chamado Colônia, no Teatro Poeirinha, com texto escrito por Gustavo Columbini e apresentado como um monólogo, ou uma "peça-palestra", com atuação do ótimo Renato Livera. Apesar do texto não ser explícito, Colônia era inspirada em um episódio que ficou conhecido como o “holocausto brasileiro”: a história de um hospital psiquiátrico em Barbacena, onde, entre os anos 1960 e 70, aproximadamente 60 mil pessoas morreram. A grande maioria dos mortos torturados não possuía nenhuma doença mental – eram indivíduos indesejados pela sociedade ou que tinham um comportamento considerado “fora do padrão”: meninas grávidas, alcoólatras, prostitutas, homossexuais e alguns opositores políticos. 

Durante a apresentação, fiquei atento ao grande quadro-negro do cenário, onde o ator realizava várias anotações e registrava palavras que se entrelaçavam, vinculando a história do hospício ao passado do Brasil Colonial e sua herança de mortes. Especificamente em uma dessas associações, fiquei estático. Renato Livera escreveu “Brasil” e iniciou o processo de dissecação de sua estrutura e morfologia. A palavra vinha a partir da derivação “calor da brasa” e associou-se à cor vermelha da madeira utilizada para tingir tecidos que os portugueses encontraram no país – o pau-brasil e o “vermelho como uma brasa”.