sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Mais um Carnaval Pra Conta!





Se eu pudesse, criaria um decreto: teríamos carnaval por 360 dias. Descansaríamos quatro ou cinco dias e numa sexta-feira qualquer, recomeçaríamos a festa, que seria incessante. O Carnaval é isso: uma festa que, apesar de oficialmente possuir cinco dias, a expectativa extrapola. É definitivamente a maior festa que temos. É o período em que retiramos as nossas máscaras e colocamos outras - aquelas que permitem que sejamos verdadeiros! 

Em cada esquina, os tradicionais baticuns se intensificam, assim como a morenice dos cariocas e a mistura dos sotaques na Babel dos trópicos. Carnaval é essa zona organizada dos bloquinhos, o furdunço do setor 1, local onde dividimos o espaço apertado, a cerveja, o sanduíche de queijo com presunto embalado no papel alumínio, os risos e as lágrimas com o amigo inseparável que você acabou de conhecer.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Não Se Leve a Mal, Mesmo no Carnaval...





Mais um início de carnaval e a história se repete: a festa continua dividindo opiniões. Há pessoas que morrem de amores pela folia e há aquelas que odeiam. Os motivos são muitos, para os dois lados. Não há como negar, porém, a importância que estes dias têm no calendário brasileiro.

Convencionou-se dizer que o ano só realmente começa, neste país, depois do carnaval. E, em parte, há verdade nisso. É preciso levar em conta, também, que esses dias são propícios para todo mundo: há uma infinidade de coisas que podem ser feitas – ou até mesmo não feitas – ao longo destes dias. Há maneiras de viver o carnaval para todos os gostos. Nas avenidas, nos blocos de rua, nos retiros religiosos e até mesmo nas maratonas de seriados que viraram moda nos últimos anos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Divã: O Que Fazer Quando Ele Está Afim, Mas Não Me Convida Pra Sair?





Olá, Leco!

Há alguns anos um rapaz me adicionou pela internet e começamos a conversar. Por coincidência iríamos passar o carnaval no mesmo lugar e, uma vez lá, ficamos. Depois do carnaval ficamos conversando por muito tempo, mas como ele nunca me chamou pra sair, deixei pra lá fui viver minha vida e ele a dele. 

Alguns anos depois nos reencontramos novamente no carnaval. Ficamos de novo e todos comentavam que dava pra ver que ele é muito apaixonado por mim. Mas dessa vez, não perdemos o contato, conversamos TODOS OS DIAS (quase toda hora) e ele sempre parece muito apaixonado, diz que não quer me perder de novo e aquele discurso todo. PORÉM, ele nunca me chamou pra sair DIRETAMENTE, e eu não entendo o porquê, já que ele se mostra tão apaixonado. 

Então, qual a sua opinião? O que eu faço?
Mais Que Um Amor de Verão

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Silenciar é Uma Maneira de Deixar de Existir





Ano passado assisti a um espetáculo chamado Colônia, no Teatro Poeirinha, com texto escrito por Gustavo Columbini e apresentado como um monólogo, ou uma "peça-palestra", com atuação do ótimo Renato Livera. Apesar do texto não ser explícito, Colônia era inspirada em um episódio que ficou conhecido como o “holocausto brasileiro”: a história de um hospital psiquiátrico em Barbacena, onde, entre os anos 1960 e 70, aproximadamente 60 mil pessoas morreram. A grande maioria dos mortos torturados não possuía nenhuma doença mental – eram indivíduos indesejados pela sociedade ou que tinham um comportamento considerado “fora do padrão”: meninas grávidas, alcoólatras, prostitutas, homossexuais e alguns opositores políticos. 

Durante a apresentação, fiquei atento ao grande quadro-negro do cenário, onde o ator realizava várias anotações e registrava palavras que se entrelaçavam, vinculando a história do hospício ao passado do Brasil Colonial e sua herança de mortes. Especificamente em uma dessas associações, fiquei estático. Renato Livera escreveu “Brasil” e iniciou o processo de dissecação de sua estrutura e morfologia. A palavra vinha a partir da derivação “calor da brasa” e associou-se à cor vermelha da madeira utilizada para tingir tecidos que os portugueses encontraram no país – o pau-brasil e o “vermelho como uma brasa”.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Carta Aberta de Um Parasita






Prezado Sr. Ministro da República,

Ouvi dizer que, por meio de uma declaração pública sua, o governo brasileiro está quebrado porque gasta cerca 90% da sua receita (90% da receita total de um país é muita coisa!), com o funcionalismo público. Ainda, segundo a sua classificação, os funcionários públicos são parasitas, e que se torna urgente a aprovação da reforma administrativa ainda este ano, para que o dinheiro deixe de ser carimbado e chegue aonde realmente faz falta.

Caríssimo senhor Ministro, com todo respeito que o seu cargo requer, me permita lhe fazer algumas reflexões, ainda que as minhas palavras não lhe tragam o meu propósito ao expô-las. Em verdade, a palavra respeito é uma via de mão dupla, em qualquer tipo de relação, principalmente quando se trata de alguém que deveria zelar pelos preceitos na Constituição Federal, como lei maior de um país, do qual se é representante. E, por isso, eu, como funcionário público concursado, me senti extremamente desrespeitado e desprotegido, assim como as pessoas que aguardam o dinheiro público, citado pelo senhor, ser empregado onde deveria, mas não o tem, por força de desvios reiterados em gastos pessoais dos representantes do país.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Ordinária





Já perceberam a necessidade absurda que a maioria de nós tem de fazer a vida ser importante, magnífica e relevante? Que a nossa passagem pela Terra tem de ser essencial para a história do planeta, que precisamos ser únicos e com grandes realizações? 

Um geração inteira foi ensinada a achar-se mais do que efetivamente é e, por isso, vemos tanta frustração e ansiedade ao nosso redor. Todo mundo precisa mostrar o tempo todo que é foda, maravilhoso e necessário. Que está no mundo pra fazer a diferença e que precisa fazer a sua voz ser ouvida. Descobrir um objetivo vital para chamar de seu.

Spoiler pra todo mundo: então, não. Na maioria das vezes, o resto do mundo está cagando e andando para você e suas ambições. E o "você que lute" é na verdade um "acorda pra vida, meu bem!". Sabe o objetivo que tanta gente procura? Pois é, ele não existe.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

A Arte Acima de Tudo – Alair Gomes e o Olhar do Desejo





Nelson Rodrigues certa vez disse uma frase que tenho usado como um mantra nos nossos dias atuais: “invejo a burrice, pois ela é eterna”. Infelizmente, essa constatação é algo que eu preferia não querer enxergar, mas não tem como. Estamos cada vez mais cercados de imbecis. Por todos os lados, proliferam indivíduos que cerceiam, destroem, achincalham e aviltam todos os lampejos criativos que porventura ainda teimam em surgir em meio à escuridão. A arte e a cultura nunca foram tão desvalorizadas. Mas é impressionante que, mesmo tão bombardeada, ela resiste, como se existisse um campo magnético que a destaca em um grande patamar inatingível, acima dos acéfalos.

Hoje eu quero começar uma série de textos que vão abordar alguns artistas já consagrados, mas que atualmente seriam denominados “degenerados”, como oficialmente eram chamados os artistas modernos, difamados durante o governo nazista na Alemanha. À época, Hitler mandou queimar livros em praças públicas, fechou a mais importante escola de arte de vanguarda – a Bauhaus - e destruiu diversas obras, além de prender e perseguir artistas e professores que não se encaixavam nas formas de arte aprovadas pelo governo. Entre obras proibidas havia quadros de Picasso, Max Ernst, Matisse e Segall. Abrindo aqui um parêntese, vimos isso acontecer de pertinho, com aquele surreal e assustador vídeo do ex-secretário de Cultura Roberto Alvim citando trechos do nazista Joseph Goebbels, ministro de Hitler.