quarta-feira, 22 de março de 2017

Bandido Também É Gente




Reconhecer que já tive atitudes erradas no passado e que, com elas, poderia ter me tornado alguém pior foi extremamente importante na última semana. Tive vários retornos, de pessoas conhecidas e de outras que nunca vi na vida, sobre como foi conhecer esse lado que, normalmente, a gente busca esconder e esquece que faz parte da nossa trajetória. Houve quem chorasse, houve quem me agradecesse, houve quem enaltecesse a minha mãe e seu papel de real educadora. 

Mas, e se eu não tivesse passado por isso? E se eu não tivesse alguém para me dar ensinamentos valiosos? Ou mesmo tivesse a disposição ou, mais ainda, a oportunidade de mudar? 

terça-feira, 21 de março de 2017

Conflito de Gerações





Ei, você. Isso mesmo, você, que tem como frase preferida “no meu tempo era melhor” (e outras variações). Sente aqui, vamos ter uma conversinha.

Primeiro de tudo, gostaria de saber: por que você acha isso? O que o(a) faz crer que em seu tempo era tão melhor assim? Aliás, o que você considera como “seu tempo”? Achei que você ainda estivesse vivo(a)...

Ah, as coisas funcionavam melhor? É mesmo? A família era mais valorizada? Nossa, incrível! As crianças obedeciam mais? Uau! Deveria ser o máximo mesmo. Mas, me esclareça uma coisa: esse tempo aí que você está falando por acaso envolve um tal regime militar? É aquela época em que as mulheres ficavam em casa, pois poucas trabalhavam fora? Engraçado, eu não acharia esse “tempo” tão divertido assim. Porém, vamos explorar seu ponto de vista.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Dementadores




Dementador: ser que se alimenta da felicidade humana, causando depressão e desespero para qualquer um que fique perto dele. Também podem consumir a alma de uma pessoa, deixando suas vítimas em um permanente estado vegetativo e, assim, são muitas vezes chamados de "sugadores de alma". São também conhecidos por deixarem uma pessoa com um "vazio". 
Na última semana, em duas conversas com amigos diferentes, ouvi sobre relacionamentos que acabaram e que, depois disso, a pessoa conseguiu enxergar o mal que o antigo parceiro lhe fazia. Eram claramente relações abusivas, com pessoas egoístas e interessadas apenas no próprio bem-estar. Mas, se isso é tão visível visto em retrospecto, por que foi tão difícil para essas pessoas colocarem um ponto final nessas histórias?

domingo, 19 de março de 2017

Paulo





Não tinha vergonha de dançar, gostava de dançar e, quando dançava, o mundo podia acabar à sua volta que nada mais interessava. As cores, as luzes, o som, se uniam ao seu corpo que se tornavam um só. Um ser que sorria sempre, sorria pra dentro como dizia a si mesmo, porque só sorrindo pra dentro podia-se sorrir pra fora. E ele sorria, e sorria muito, para gente que ele nunca vira na vida. Se divertia com a alegria das pessoas em volta, dos amigos que apareciam e o cumprimentavam, ali ele era sempre o rei do salão.

Aquele dia não era diferente dos demais, Paulo só queria dançar a vida inteira. Sabia que, se quisesse, poderia ter tudo que desejasse. Era como se a música o dominasse naquele momento. Ao seu redor viu um casal se beijando, depois outro e depois outro e mais outro. Nesse instante, sentiu uma mão em volta de seu corpo. Ele só queria dançar e o rapaz dançava junto com ele. Um rapaz alto de sorriso maroto e barba por fazer.. Seus olhos fitavam os olhos negros do outro e não demorou muito para que a boca deles se encontrassem e um estranho calor invadisse seu corpo.

sábado, 18 de março de 2017

Aquela Frase Dita Pela Mocinha de Um Filme






Se você assistiu ao drama romântico Um Dia (One Day, 2011), baseado no romance de mesmo nome de David Nicholls e protagonizado por Anne Hathaway, talvez se lembre de uma frase contundente, dita pela mocinha Emma (Anne) ao seu amor/amigo Dexter (Jim Sturgess).

sexta-feira, 17 de março de 2017

As Muitas Vidas de Vovó





Anteontem, minha vó Lourdes fez 90 aninhos. E tal qual uma Mrs. Dalloway, do famoso livro de Virginia Woolf, me preparei para produzir uma festa à noite. Foi aí que lembrei de seu carrancudo pedido para que nunca a surpreendêssemos com surpresas ou parabéns; afinal ela “nunca teve um aniversário” na vida. Obviamente, aquela afirmação era um charminho peculiar, pois repetidas vezes, a família se reuniu para comemorar a data. Mas fiquei matutando e tentando entender o que significava para ela um aniversário.

Minha avó praticamente não teve infância. Desde muito pequena trabalhava em casa de família e, aos 14 anos, já estava casada com meu avô, um militar da Marinha, mulherengo como ele só. Também não teve festa de debutante: aos 15 anos já tinha uma filha para criar. Ao todo, teve cinco filhas que lhe deram 10 netos, 7 bisnetos e muitas histórias para contar. Em muitos momentos de minha vida, foi ela que tomou a frente de minha educação e criação. Por isso, todos os dias, quando ela vai até minha cama me acordar para eu trabalhar e faz questão de preparar minha torrada quentinha, agradeço por ter a oportunidade de tê-la ao meu lado.

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Que Fazer Quando a Carência Aparece?





Esse não é um daqueles textos que você vai ler e sentir que o autor quis mostrar que existe muito mais na vida do que estar em uma relação. Na verdade, esse é um texto mais reflexivo. Faz uma semana que saquei que estava vulnerável, carente mesmo! Pensando o tempo que faz da última relação que estive, do beijo que dei e do abraço que recebi. Abraço com vontade, cheio de tesão, se é que vocês me entendem. 

Ontem, por exemplo, durante a minha madrugada boladona, conversava com alguns amigos. A gente falou sobre esse clima de pegação, de ninguém ser mais de ninguém e percebi que continuamos presos dentro de velhos conceitos, que nem sabemos em qual momento de nossa vida adquirimos, mas eles (esses conceitos todos) estão ali e não são fáceis de substituir.