domingo, 22 de janeiro de 2017

Primeiramente, a Empatia





Normalmente, para a escrita de artigos acadêmicos, eu parto do princípio de duas hipóteses/fatos, para gerar meu conteúdo de forma coerente. Ainda que essas premissas não apareçam em meu texto, eu preciso escrevê-las, tirar da cabeça, para encarar e deixar que meus dedos façam o restante do trabalho.

Resolvi usar a fórmula para o Barba Feita também. 

Fato 1: A magia do saber imaginar.

Quando a vida se tornar amarga demais para ser encarada, pare um minuto, respire e feche os olhos. Imagine uma nova história, novos desfechos e novas possibilidades. Imagine o mundo real podendo atingir outros patamares sem, necessariamente, terminar em uma grande falha todas as vezes. 

Fato 2: O legado que inspira.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Talvez Uma Epifania





Como se começa a amar alguém?

Amores da vida que duram três meses, começam com muita pegação e sexo de tirar o fôlego. Nada contra esse amor miojo, são super válidos e tenho até amigos que já o viveram a contento. Mas não consigo classificar essa fugacidade como amor. Só gostaria que as pessoas usassem as palavras certas, ou melhor, sentissem do jeito certo. Tesão, paixão, amor, epifania, cada um é um. Há que se tomar cuidado ao classificar o que se sente, para não tornar-se terrivelmente leviano.

Sinto-me em rota de colisão com esse sentimento e não consigo nomeá-lo de outra forma. Talvez minha definição de amor seja piegas e pueril, mas não encontro outro jeito de definí-lo. É um sentimento manso, que no meu caso começou em uma sessão de cinema entre amigos, há três anos, quando nos vimos pela primeira vez. E no meio de tanta gente (estávamos num grupo de oito pessoas), como na canção de Marisa Monte, Não Vá Embora, ele me encontrou. Veio até mim, e falamos sobre a literatura de Caio Fernando Abreu. Primeiro tiro. Como não amar quem ama Caio F.?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Quando Saí do Cinema Com Vontade de Cantar





Alguns filmes parecem tão frágeis quanto aquelas caixinhas de música que vem com uma bailarina rodando. Ou tão delicados como globos de vidro com neve dentro. La La Land poderia se encaixar perfeitamente nesta característica. Ele é pungente.

Quando disse isso, um amigo retrucou: “mas pungente pode ser um sinônimo para algo torturante, dilacerante”. Sim, e é. O filme é tão intenso que nos corta como uma navalha. É um misto de sensações muito fortes: dor, sorriso, tristeza, saudade, felicidade... Não existe a possibilidade de sairmos da sala de projeção da mesma forma como entramos. 

Eu era um cara que sempre achou um saco assistir musicais. Sempre era torturante demais. “Mesmo com a beleza de Madonna, evite Evita, eu sempre dizia. O badalado Chicago, mesmo com a estonteante dupla formada por Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger também não conseguiu me animar. E eu também tinha aqueles traumas infantis que me faziam ter ojeriza a qualquer coisa cantada. Tinha pavor de Gene Kelly. Nunca achei que alguém pudesse ser feliz cantando na chuva pois sempre detestei molhar os pés. Tinha antipatia pela Julie Andrews em A Noviça Rebelde, e por aí vai. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Carne de Gaivota de Raphael Montes




“Um sujeito estava andando pela rua quando se deparou com um restaurante que vendia carne de gaivota. Pediu a carne, comeu, foi para casa e se matou. Por quê?”
Tudo começou com esse enigma. Quer dizer, o início na verdade mesmo ocorre lá em 2010, quando Dante, Miguel e Hilda vieram para o Rio de Janeiro procurar uma nova morada para eles. Tirando Hilda, mãe de Dante, que não se mudaria para a Cidade Maravilhosa, permanecendo em Pingo D’água, cidade do interior do Paraná. Em seu lugar, mais dois amigos do filho fecharam o grupo que ocupariam a morada escolhida. Uma vez vivendo em Copacabana e matriculados em suas respectivas faculdades, os amigos Dante, Leitão, Hugo e Miguel iniciavam o que parecia ser o início do resto da vida de cada um… E era mesmo.

Quatro anos depois, formados e em busca do que tanto queriam, dinheiro e reconhecimento profissional, a realidade nada favorável do país começa a se revelar uma grande ameaça aos planos traçados na época da mudança. E é com essas pitadas de realismo atual que Raphael Montes vai nos apresentando seus novos personagens, que são tão comuns que você chega a pensar duas vezes em iniciar um papo com um estranho em uma fila de banco. Afinal, nunca se sabe os esqueletos no armário que esse “desconhecido” pode ter. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sobre 18 de Janeiro





Essa quarta-feira completa exatamente um ano que operei de uma apendicite. Tudo bem, acho que vocês não aguentam mais eu falando nesse assunto aqui, como se fosse um big deal e tal. Mas realmente foi um momento bastante peculiar da minha vida. É duro você estar sozinho em um hospital e achar que tem uma virose e, de repente, ser avisado de que terá que operar no mesmo dia, caso contrário pode morrer. Pode não, vai morrer. Tudo isso num dia em que a sua prima está sendo enterrada, depois de também ter ido parar em um hospital com uma emergência.

Lembro-me que tudo o que eu queria era que me operassem logo e abreviassem aquela agonia. A dor ia aumentando e eu tinha muitas tremedeiras, embora eu já estivesse sendo medicado. A outra opção seria bater as botas; então que tal abrir minha barriga o mais rápido possível? Minha lembrança era de encarar tudo com bom humor... Menos de três meses antes, havia feito oura cirurgia com anestesia geral, no nariz. Essa sim, por opção – eu poderia viver o resto da vida com o septo nasal desviado; mesmo com menos qualidade de vida, não morreria disso. Não me arrependo, inclusive indico para quem em dúvidas. Mas foi uma opção. A apendicite, não.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Um Amor Chamado Paula Lima





E aí, minha gente! Como é que ceis tão? Eu tô ótimo, apaixonado por Porto Alegre, por Tatianna, de RuPaul's Drag Race, mas isso é história que conto semana que vem! No texto de hoje eu vou falar sobre essa mulher talentosa que se chama Paula Lima. Conhecem? Não? Então tasca o dedo no play pra curtir esse som deliciosíssimo!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A Chuva e a Árvore Sobre o Barranco Além do Porão





Eu morei durante quase toda a minha vida na casa dos meus pais, no interior do Rio. A cidade, que eu chamo carinhosamente hoje de Smallville, sempre foi um pouco a minha prisão, o lugar de onde eu queria sair para me libertar e poder ser verdadeiramente eu. Eu sonhava com o dia em que desbravaria o mundo, que conheceria lugares e pessoas diferentes daqueles da minha rotina. E, se hoje eu tenho um pouquinho de dificuldade em aceitar a cidade, as pessoas, isso não é culpa deles, e sim minha, que criei uma certa barreira com “voltar para casa”. 

Na semana passada, logo depois do Ano Novo, fui visitar meus pais. Eu estava devendo a visita, que posterguei o quanto pude, mas a saudade apertou, queria carinho de pai, mãe e sobrinhos e acabei me deixando voltar para a terrinha, para um fim de semana de descanso, que é o que eu mais faço por lá. 

O calor insuportável no Rio, os dias de folga pós-reveillon, a praia, a cerveja (em excesso), as comidas que não me eram habituais, o retorno ao trabalho. E assim, em plena sexta-feira, dia para o qual tinha comprado a passagem para a viagem (de 2 horinhas, mas uma viagem), eu não estava me sentindo muito bem. Um enjôo, um mal estar e eu cogitei seriamente remarcar. Mas na hora do almoço tomei um remédio para o fígado e acabei embarcando para a casa dos meus pais.