sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Atrás dos Pneuzinhos Existe um Cara Legal!





Dia desses debatíamos no grupo do WhatsApp do Barba Feita como são frequentes os casos de gordofobia, principalmente no meio gay. Tem gente que dá unfollow e block em gente gordinha ou que recentemente ganhou uns quilinhos a mais. O mundo gay vive em torno de corpos perfeitos e musculosos e eles mesmos criam um muro: se você não é sarado, é bear (ursinho). Tem muita gente que curte, eu sei. Inclusive existem várias festas temáticas direcionadas ao público bear. Mas, sinceramente, acho essa barreira muito escrota.

Sempre fui contra essa coisa de gueto. Antigamente, a praia de Ipanema era toda dividida dessa forma: tinha o pedaço das barbies, dos que curtiam uma erva, dos jiu-jiteiros héteros... Nem sei se ainda é assim, pois peguei tanto ranço que, quando nas raríssimas vezes que vou à praia só vou à Reserva ou ao Leme. Apesar de achar linda, passo longe da badalada Ipanema.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Vertigens





Assisti Democracia em Vertigem no dia 21 de junho de 2019, logo depois que ele entrou para o catálogo da Netflix. Li alguns comentários sobre o filme de Petra Costa e, inocentemente, apertei o play e fui, pelo olhar da diretora, relembrando de tantas coisas que levaram o Brasil a chegar onde chegamos. Em junho de 2019, o governo Bolsonaro tinha apenas seis meses e já era um estrago. No início de 2020, vivemos em um país desolado, governado por imbecis que são seguidos por uma manada que, apesar de não ser maioria, é barulhenta e ignorante. 

E, com a indicação ao Oscar de Melhor Documentário, Democracia em Vertigem volta aos holofotes. As chances de uma premiação efetiva pela academia são pequenas. O favorito na categoria, de acordo com sites especializados, é Indústria Americana (American Factory, no original), que tem a chancela do casal Obama na produção. Mas, a indicação do filme de Petra Costa já diz muito sobre o cenário mundial e de como o mundo enxerga o Brasil nesse momento.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A Nova Ordem





Ainda bem cedo, os primeiros raios de sol anunciavam que o dia seria bem quente, deixando para trás as temperaturas amenas, que pareciam coisa do passado. O maçarico estava funcionando à pleno vapor, queimando as pedras portuguesas e, os primeiros moradores que ousavam fitá-lo, transbordavam em si mesmos. Os pássaros ainda estavam preguiçosamente silenciados quando a serenidade daquela avenida foi quebrada por um alarido, provocando a primeira grande revoada. Tremeram os bueiros, postes e seus emaranhados novelos. Com a potência de um trio elétrico, mandaram avisar que a Grande Cidade, a partir daquele momento, teria cinquenta dias de festa.

O alto brado percorria a grande avenida, enquanto revoadas descoordenadas rabiscavam o horizonte. Vagarosamente, as janelas se abriam revelando olhares de soslaio e alguns moradores questionavam: “como assim, cinquenta dias de festa?”. As comemorações haviam sido suspensas há dois anos, pois o Grande Senhor tinha ojeriza à folia. Desde então, a metrópole havia mergulhado em uma grande tristeza, um remanso sepulcral. Os dias tornaram-se mais curtos, a escuridão fazia parte do cenário da outrora Grande Cidade, que perdera sua cor natural, transformando-se como numa película expressionista, com as sombras dos indivíduos encrustadas nas paredes de suas vilas.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

O Fim de uma Era




Não sei se você é do tipo que começa um papo falando sobre signo. Mas, acreditando ou não, quase todo mundo sabe qual zodíaco rege o dia de seu nascimento. Algumas vezes, isso até inclui  o ascendente, a lua e o meio do céu. É quase como saber qual é o nome do seu Orixá. Iemanjá e Oxalá possuem filhos a rodo.

Na semana passada aconteceu a primeira lua cheia do ano. E não foi só isso, tivemos também o primeiro eclipse. Ele aconteceu no signo de Câncer. Nada de revirar os olhos. Câncer não é tão ruim assim. Pelo pouco que li nos quinhentos perfis que sigo no Instagram sobre o tema, essa conjunção vai trazer mudanças. É o fim de um ciclo. Quase o término de uma era...

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

A Ilusão das Redes Sociais



No último fim de semana, estive em um evento de família e, por causa dele, me peguei refletindo o restinho das últimas horas sobre como nos mostramos e como somos vistos nas redes sociais. Na verdade, não era um eveeeeento, mas um churrasquinho de fundo de quintal, regado a conversa fiada, gargalhadas, pagodes dos anos 90 e aquelas brincadeiras bobas com meus sobrinhos, que passavam longe dos atuais jogos eletrônicos. Para coroar o dia quente, no fim da tarde, caiu uma tempestade na zona oeste do Rio e aproveitamos para tomar banho de chuva e mergulharmos nas águas turvas da piscina de plástico que estava há dias sem ser lavada. Diante dos avisos para o risco de adquirirmos uma hepatite ou dermatite, meu pensamento se teletransportou para a minha infância, quando eu brincava descalço nas ruas, pegava girinos naquelas valas de periferia e dizia que eram peixinhos e voltava para casa no fim da tarde com os pés e joelhos russos de lama e poeira. 

Quem me vê nas redes sociais, como o “blogueiro super produzido” pode ter se espantado com os stories propositais que publiquei na mesma rede em que eu me mostro cheio de glamour.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Uma Relação Tão Delicada: Uma Peça Tocante





Toda relação possui seus altos e baixos e isso é incontestável. O amor não garante que uma relação será tranquila eternamente e, principalmente quando há sangue envolvido, é quase impossível não haver embates. Quando são mãe e filha no centro dessa relação então, a questão é ainda mais complexa e... delicada. 

Uma Relação Tão Delicada, que entrou em cartaz no Rio de Janeiro na última sexta-feira, dia 10/01, no Teatro Vannucci, aborda a relação de uma mãe e sua filha ao longo de mais de cinco décadas. Com idas e vindas temporais, mostrando recortes da vida e da relação das protagonistas, acompanhamos como cada uma vai de cuidada a cuidadora, ao mesmo tempo em que precisam lidar com o amor e com a forma que a outra recebe e percebe esse sentimento tão intrínseco à relação de mãe e filha.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O Velho Trauma da Infância Voltou





Já cheguei a comentar sobre esse assunto algumas vezes por aqui e, novamente, o tema ressurge. Quando eu era pequeno, eu tinha pavor de Ernesto Geisel, Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Mikhail Gorbachov e do Aiatolá Khomeini. Eles sempre pareciam tão sisudos na televisão e o mundo vivia aquele clima contínuo de guerra iminente. O Brasil vivia o seu período ditatorial. A guerra do Vietnã tinha durado 20 anos e eu achava que por causa da Guerra Fria entre Rússia e EUA, e perigo da bomba atômica era terrivelmente real. 

Thatcher e aquele seu penteado Aracy Balabanian me causava calafrios. Era notória a sua popularidade entre os ingleses, principalmente com as ações que ela adotou para reverter as dificuldades que o país sofria, após a recessão. Mas ela me dava medo por causa de seu jeitão ogro de ser – não à toa era chamada de “dama de ferro”. Thatcher, que teve importância vital na Guerra das Ilhas Malvinas, manteve sua linha dura até 1990, quando renunciou.