segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Carnaval, Mamilos e Fantasias




Eu adoro o carnaval. Se não dou muita ideia pra Páscoa, Natal ou outras datas comemorativas, eu realmente anseio pelo o reinado de Momo. As pessoas são mais felizes no carnaval, mais livres e menos preconceituosas e conservadoras. É no carnaval que a gente deixa o nosso eu aflorar de verdade e vai ser feliz atrás do bloco, do trio ou desfilando na escola de samba.

Por ter tido uma formação religiosa rígida, eu só fui me jogar na folia depois de adulto. Em minha cidade do interior eu via as pessoas saindo para curtir o carnaval (ou qualquer festa, diga-se de passagem) e morria um pouquinho por dentro por ser diferente deles e não poder ir também. Eis um mal de obrigar crianças e jovens a seguir uma religião sem dar-lhes o poder da escolha: um mundo de frustrações que vão se acumulando pelo caminho. 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

"Bom Dia! Eu te amo!" (Oi?)





Há algum tempo conheci um cara, tudo estava fluindo da melhor maneira possível: conversas sem fim, risos, zoações, apelidos, cinema, vinho, beijos... Tudo caminhando para uma possível relação, até que uma bela noite quando eu dei um “tchau” e “boa noite”, meu WhatsApp recebeu uma mensagem que me surpreendeu: 
“Boa noite, meu gato! Te Amo!”
Fiquei ali por alguns instantes, somente olhando para a tela do celular. Sinceramente não sabia o que fazer e como agir. Resolvi fazer a Kátia Cega e fingi que não tinha visto, deliguei o wi-fi e fui dormir.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sereia





Fred era o macho-alfa da turma. Olhos azuis, cabelos negros, boca carnuda, todo marombado. Garanhão, pegava todas e não se apegava a nenhuma. No auge de seus 27 anos, com um escritório próprio de advocacia recém aberto, cada vez mais clientes na agenda e a grana entrando solta, ele queria mais era curtir a vida com todas as mulheres que pudesse ter (e ele podia ter muitas), badalar nas praias mais bombadas do mundo, encher a cara com os amigos e zoar muito. E, talvez lá pelos 40 ele, começasse a se preocupar em arranjar uma mulher decente pra casar e formar uma família, que lhe desse o status necessário que todo grande advogado necessita.

Fred ria na cara das garotas que diziam que um dia ele encontraria uma mulher que o faria rastejar e sofrer feito um cachorro sarnento, cada vez que dispensava uma, depois de algumas semanas de pegação. Ele tinha toda a segurança do mundo de que não havia mulher na terra que o fizesse perder a cabeça ou que resistisse ao seu poder de sedução, nunca havia sido rejeitado por nenhuma e isso lhe dava uma tremenda autoconfiança.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Olha o Carnaval Aí, Gente!





O certo mesmo seria eu detestar o carnaval. Quando criança, meus pais e tias sempre me fantasiavam com uma roupinha ridícula de havaiano, com aqueles horrendos colares multicoloridos e um saiote de gosto duvidoso. Íamos para o clube de Bonsucesso e ficávamos rodando em círculos pelo salão ao som de marchinhas. Volta e meia eu, tonto, parava de rodar e me entretinha com o emaranhado de serpentinas no chão e a chuva de confetes.

Eu queria mesmo era me fantasiar de “chupetinha”, como chamávamos os “bate-bola” (que eram a pré-história carnavalesca dos atuais Clóvis). Os bate-bolas eram umas figuras bem assustadoras, com umas roupas largas de cetim e uma longa capa feita de cacos de espelhos. Quanto mais colorido e mais espelhado, mais legal ficava. Mas minha mãe e minhas tias nunca deixavam... Entrava ano, saía ano e eu lá com aquela fantasia tenebrosa de havaiano.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Tem o Carnaval; e Tem a Outra Opção





Carnaval está aí, não tem jeito! Tem quem ame e já está curtindo todas as emoções em uma eterna pré-folia. E também tem quem não goste e prefira se isolar e fazer programas alternativos. Eu me encontro em um terceiro grupo, que trabalha (faça chuva ou sol) e não terá um “descanso” para me jogar nos blocos da vida. Ser parte desse terceiro grupo é interessante. Permite que se observe um pouco da disposição humana para “se jogar” um pouquinho. 

Normalmente, declaramos aos quatro ventos que não temos tempo. Não temos tempo para encontrar os amigos, colocar aquela série em dia, iniciar um novo curso ou ler um livro que está fazendo aniversário na mesinha de cabeceira. Não ter tempo é o mesmo que viver nos dias atuais. Tempo é um artigo de luxo que poucos possuem e muitos querem. Maaas, chegando uma época do ano em que o tempo para se jogar é quase cronometrado, todo mundo acaba dando um jeito de aproveitar nem que seja “só um pouquinho”.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Ao Meu (Não Tão) Querido Momo





Oi, Momo. Tudo bem? Nós não somos chegados muito um ao outro, eu sei. Não é de hoje, inclusive, essa nossa relação estremecida. Não gosto muito de blocos, não gosto de ter milhares de pessoas suadas à minha volta fritando no sol, não curto gente bêbada nem no individual (quanto mais em aglomeração), não ligo para marchinha (embora um dos romances que esteja escrevendo seja inspirado nisso) e, talvez por não vir de uma família católica, não via o Carnaval como um período de liberação extrema e quase que necessária após um longo período de 40 dias de penitências até a Páscoa.

Pra mim, Momo, é difícil entender toda essa magia que existe em torno do seu período. Ou pior: que já domina os fins de semana, às vezes, mais de um mês antes da folia chegar. Admito que olho para as fotos dos meus amigos em redes sociais já pulando Carnaval previamente, muitos secos para irem de bloco em bloco como abstêmios de uma droga, como se não houvesse amanhã, e penso: “caramba, e eu doido para esta num ar condicionado agora!”. Lembro-me de um meme que simulava uma manifestação popular e num cartaz havia escrito (em uma montagem clara): “Stop Early Christimas Decorating”. Eu logo imaginava algo como “Stop Previous Carnival Celebrating” quando via toda essa comoção antecipada.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sobre a Barba e Sobre Dar um Tempo





Tirei toda a barba. Sim. No começo eu me detestei? Não vou dizer que não, mas aos poucos já estou me acostumando ao meu velho eu, da época da igreja, que não podia ter barba se eu quisesse ter algum tipo de função lá. Ao me ver no espelho foram vários flashbacks tenebrosos que foram tão rápido como vieram. E lá estava, meu novo velho eu, de volta, enquanto o outro, barbudo, "rebelde", desgrenhado, iniciava seu descanso, seu momento. 

O que me fez achar uma ótima ideia pra mim. Sinto que preciso dar um tempo disso tudo. Internet. Redes Sociais. Celular. Tudo isso tem me consumido, esse princípio de obsessão com saber o que me disseram no Twitter, ou comentar um episódio enquanto assisto, ou ver GIFs da Gretchen o tempo todo (impressionante como dá pra usar os GIFs dela pra TUDO, não é mesmo? Eu gosto muito), e likes aleatórios no Instagram, e histórias no "Snapgram", todo mundo cheio de glitter nos bloquinhos (inclusive amei que agora chamam de bloquinhos, acho tão legal, inclusive porque dá umas piadas bem óbvias sobre bloquinhos de escrever), vídeos da Jout Jout, Porta dos Fundos, Louie Ponto, e por aí vai. Excesso de informação (útil e inútil), portais de notícias, orquestras tocando temas de jogos, de filmes, discussões diversas, pode ou não pode usar turbante, Rita Lobo, foi golpe, não foi golpe, tal coisa raiz versus tal coisa Nutella, Irineu, você não sabe nem eu, esperar ou não o Carnaval chegar pra ser vadia, enfim.