terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A Sujeira Ocupa Espaço




Dia desses, enquanto fazia faxina aqui em casa, eu tive uma epifania. 

(Aliás, momentos de limpeza são ótimos para extravasar nossa energia acumulada. Recomendo.)

Foi o seguinte: separei o material que usaria para lavar o banheiro, tirei os objetos de dentro do banheiro e coloquei no corredor. Olhando daquela forma, fora dos lugares, eu pensei que tinha muita coisa e precisava dar um jeito de deixar só o essencial, sob o risco de sempre parecer bagunçado. 

Depois de muito esfrega-esfrega, água etc, terminei de limpar. E, enquanto colocava as coisas de volta aos seus lugares, percebi que parecia sobrar espaço. O que antes da limpeza dava a impressão de estar amontoado e confuso, agora cabia perfeitamente ali. Cheguei à conclusão de que, quanto mais sujo o ambiente, menos espaço sobra nele. É uma questão de física. Lembra aquela coisa que aprendemos na escola de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Tá Todo Mundo Muito Chato





Na era do mimimi, ninguém se salva da chatice generalizada que assola o nosso cotidiano, tudo isso maximizado pelo aparente poder de voz concedido a todos pelas redes sociais. Todo mundo tem opinião PRA TUDO, sobre QUALQUER COISA. Viramos especialistas generalistas, o que me faz conjecturar: não sabemos é de nada.

Se a Anitta lança uma música nova, todo mundo tem uma opinião polêmica sobre ela (aliás, já ouviram Machika? O que acharam?). Com o sucesso inquestionável de Pabllo Vittar, sobram questionamentos sobre as qualidades vocais da drag e acusações de homofobia velada para cima de seus detratores. Por causa da febre causada pelo hit de Jojô Todynho Que Tiro Foi Esse? as redes sociais foram tomadas por vídeos divertidos tendo a música como tema, enquanto uns e outros entram em uma discussão besta sobre a apologia à violência causada pelo funk e outros reclamam da voz da cantora e da qualidade da música (muitos desses reclamões são, inclusive, pessoas que defendem Pabllo Vittar com ardor nas redes; é sério, eu estou vendo). Moral da história: um bando de gente chata.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O Outro Lado da História




Eu não acompanho mais novelas desde 2012, ano em que Avenida Brasil, do João Emanuel Carneiro, terminou.  Lembro que saía às pressas do trabalho para chegar em casa a tempo para acompanhar a frenética perseguição entre as personagens de Carminha (Adriana Esteves) e Nina / Rita (Débora Falabella), que fez um sucesso tão estrondoso que acabou se tornando a novela mais rentável da história, tendo seus direitos de exibição licenciados para mais de 130 países.

Depois disso, acompanho esporadicamente os capítulos de algumas novelas.  Cheguei até a assistir bastante coisa de A Força do Querer, de Glória Perez, que tinha um enredo bem interessante, um elenco caprichado e diálogos que prendiam a atenção do telespectador.   A trama que abordava o universo da transexualidade, vivida pela personagem Ivana, da então estreante Carol Duarte, foi tratado por um prisma muito rico, recheado de conflitos muito reais e uma singeleza poucas vezes vista na tevê brasileira. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A Realidade e os Famosos nas Redes Sociais





James Franco foi acusado por assédio sexual. Enquanto muitos diziam que já suspeitavam ou esperavam por tais denúncias, me senti meio que pego de surpresa. Franco, até onde meus conhecimentos gerais sobre celebridades permitiam supor, era um cara "de boas" e diferente dos demais. Dos outros agressores sexuais. Isso era o que pensava. 

Na verdade, foi conversando sobre essa denúncia que minha ficha caiu. Nós não conhecemos de fato nenhuma celebridade. O que lemos, vemos e compartilhamos sobre elas é que formam o que pensamos que elas são como pessoa, na intimidade. Louco isso, não? A imagem que tinha de Franco não era errada, só não era a verdadeira, a real oficial. O que tinha era um mosaico construído pelos seus representantes e por ele mesmo, ao longo dos anos, através de entrevistas e vídeos compartilhados pelas redes sociais. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Que Tiro Foi Esse?





Há poucos dias, um amigo de Minas Gerais me mandou uma mensagem:

- Paulo, você já ouviu “Que tiro foi esse?”. Jojo Toddynho é a nova musa do momento!

Eu ainda não tinha escutado a música e até agora não sei sua letra toda, embora não haja muita complexidade, pelo pouco que conheço. Mas fato é que a música gruda na cabeça (já vi amigos cantarem o refrão no trabalho e família fazer o mesmo em casa) e já tem até uma onda na internet produzindo vídeos brincando com a letra.

Do outro lado (sempre existe um outro lado...) há pessoas criticando a mensagem e a cantora por fazer certa apologia à violência. Quem é carioca e, principalmente, circula nos meios LGBT, sabe que a expressão “que tiro” é uma nova gíria, assim como já surgiram outras no passado, tal como “bolado”, “arrasou”, “lacrou” e, mais recentemente, “pisa menos”. A própria Jojo veio a público dizer que, por ter vivido em comunidades carentes e ter visto a verdadeira violência de perto, nunca exaltaria em sua música; pelo contrário, ela queria dar mais visibilidade à comunidade gay.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Um País a Ser Descoberto Além da Internet e da Televisão





Eu sigo alguns perfis de fotografia e viagem no Instagram. E, observando o que é postado lá, várias vezes me deparo com lugares aqui no Brasil dos quais eu nunca ouvi falar na minha vida. O Brasil é grande, claro, mas por que só se fala sempre dos mesmos destinos?

Justamente por nosso país ser grande, há tantos lugares incríveis escondidos por aí, que nem nos damos conta. Se formos procurar alguma indicação na internet para viajar, nove em cada dez sites falarão das mesmas cidades, das mesmas praias, e por aí vai.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Os Últimos Dias da Noite, de Graham Moore









As romantizações de histórias reais são um filão bastante explorado pelo entretenimento. Até mesmo as novelas vem pegando carona nessa ideia, vide o sucesso da bem sucedida Novo Mundo, exibida pela Globo no ano passado. Na literatura, isso já acontece há bastante tempo, com resultados diversos. E, em Os Últimos Dias da Noite (The Last Days of Night, no original), o autor Graham Moore acerta na pegada, criando uma trama deliciosa de ser acompanhada, daquelas que rouba nossa atenção desde suas primeiras páginas.

Lançado no Brasil pela Companhia das Letras, em Os Últimos Dias da Noite o autor Graham Moore nos leva para o final dos anos 1800, quando o mundo estava sendo sacudido por mudanças e invenções. Os grandes inventores estavam com a mente em ebulição e a humanidade experimentava um salto extraordinário, daqueles que poucas vezes foram dados na existência do homem no planeta. O telefone era uma novidade, assim como a energia elétrica que, desculpem-me pelo trocadilho, é o fio condutor dessa trama.