sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O Ovo da Serpente





Hoje eu queria ser curto e grosso. Em um pedido quase agonizante, gostaria muito que lessem esse texto até o final, torcendo para que possa ter conseguido deixar uma pequena pausa para reflexão. Infelizmente, poucas pessoas leem “textões” nas redes sociais, pois os “tempos líquidos” do filósofo Bauman definitivamente já se instalaram em nossas vidas. Não temos tempo para mais nada. Chronos nos consome. As reuniões com os amigos se tornam mais raras e vivemos a “celebração de nossa desunião”, como já dizia o mestre Renato Russo.

Estamos mergulhados em uma grande crise existencial. E não estou falando somente de nós, brasileiros. O mundo está assim, imerso em uma grande crise social agravada pelo declínio do poder político. A humanidade segue, autômata e solitária, sem muita perspectiva para o futuro. E isso é muito assustador, pois gera em cada um de nós uma angústia abissal. Temos medo da fome, da violência e de uma neurose que nos persegue dia e noite. Assim como naqueles joguinhos de vídeo-game, passamos de fase assim que chegamos sãos e salvos no aconchego de nossas casas para novamente recarregar nossa vida e dar o restart ao jogo para o dia seguinte. É como se vivêssemos em um grande looping, encapsulados dentro de nossas próprias inquietudes.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O Convite: Uma Imperdível História de Tensão Crescente




Sou fã de filmes que constroem toda sua narrativa em cima do diálogo. Infelizmente, o que é bem raro de encontrar nos dias de hoje. Creio que diálogos bem elaborados são um belo presente para bons atores. Permite que cada cena vá apresentando um pouco da história daquelas pessoas e também ajuda a estabelecer o crescente clima de tensão de um filme. Sim, normalmente as películas que se permitem dialogar à vontade são os thrillers e suspenses. Em alguns casos, os dramas familiares também se aplicam. 

Hardy Candy ( que no Brasil ganhou o nome de Menina Má.Com) é um excelente exemplo de filme construído no diálogo entre dois personagens. Praticamente, o filme inteiro possui só dois atores em cena. Helen Paige, que construiu uma incrível Hayley Stark, e Patrick Wilson, que fez inúmeras camadas para o seu Jeff Kohlver. Esse é um tipo de filme que merece ser assistido e recomendado inúmeras vezes. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Pippin: Uma Metáfora do Palco Para a Vida




No último sábado, fui novamente ao teatro. Eu sei, ando muito cultural... Nas últimas semanas, já escrevi coluna sobre uma peça e sobre um filme aqui no Barba Feita. Mas Pippin, de Charles Möeller e Claudio Botelho, espetáculo que saboreei mais recentemente, não poderia ser ignorado. Foi uma das melhores surpresas que tive no teatro na vida – e não era porque a expectativa era baixa... 

Não conhecia a história de Pippin a fundo, havia apenas visto um trailer dele no Youtube enviado por meu companheiro. O musical reestreou na Broadway um ano depois de eu ter ido a Nova York e já saiu de cartaz por lá. No Brasil, a montagem está no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro – um espaço que não é tão grande e fica até estranho um espetáculo tão grandioso num palco relativamente pequeno. E a produção encontrou soluções bastante eficientes para as limitações do espaço. 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O Imprescindível, Às Vezes, É Invisível aos Olhos...





Ontem foi mais um início de semana. Mais uma segunda-feira corrida como todas as outras nos últimos anos... Muito trabalho, reuniões e, depois dele, outros compromissos. A coluna de hoje, por exemplo, foi escrita aos 45 minutos do segundo tempo. Mas hoje teve algo diferente no ar. Talvez eu não saiba o que é, não sinta ou ainda não enxergue. Tenho as coisas mais simples do mundo e acho, que agora aos 38 anos, comecei uma nova fase no game da vida. É tão óbvio e me causa um conforto imenso e inexplicável. Valorizar (ou voltar a fazê-lo) as coisas e as pessoas que realmente importam. Acho que me perdi um pouco nos últimos anos (ou me deslumbrei, talvez?) sobre essa real necessidade.

Minha seta apontava em direções que não conseguia flechar e insistentemente eu - equivocadamente - insistia em mirar. Em pessoas, coisas e situações. Não eram minhas, não me pertenciam. Apenas faziam parte do meu cotidiano. Como os objetos (sem leviandade) belos que hoje decoram minha casa e que gosto de ter, mas não são imprescindíveis para que eu viva feliz. Taí! Imprescindibilidade! Busquei isso, e tenho que me policiar para que não saia do eixo, focando onde não preciso.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Cinco Produções Cult (Que Eu Odeio)




Ok, ok, ok, eu sei que vou ser apedrejado. Entretanto, a ideia para essa pequena lista surgiu quando em um belo dia, lendo notas sobre a expansão do universo de Star Wars em varias outras produções e a euforia causada por isso nos fãs, me peguei pensando: "como tem gente que gosta dessa porcaria obra!". Porque eu, é claro, acho os filmes, todos os lançados até o momento, um saco.

E assim me dei conta de como costumo não gostar de algumas produções adoradas por uma legião de fãs. Fui enumerando cada uma dessas produções e a dúvida era: será que estou sozinho? Por isso resolvi dar a cara à tapa e elaborar a listinha de hoje e aguardar. Vai que não sou o único em minha falta de (bom?) gosto por filmes considerados cult por uma grande maioria. Será?

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

As Cinzas e a Memória





Raramente vou até à varanda do meu apartamento, pois detesto sentir aquele frio na barriga e a vertigem provocada pelo medo da altura. Mas naquela noite do início de setembro, resolvi vislumbrar o clarão avermelhado que refletia no céu do Rio de Janeiro, como se fosse uma pintura viva. Naquele momento, o fogo já havia destruído dois séculos de história.

Tenho certeza que, mesmo distante alguns quilômetros, senti o cheiro das cinzas que circulavam pelo ar e aspirei profundamente o máximo que meus pulmões puderam aguentar. Era como se eu tivesse, de alguma forma, guardando dentro de mim, o passado. E o aroma das cinzas perdurou praticamente toda a madrugada. E, lentamente, eu ia inalando aquele cheiro para que essa lembrança ficasse guardada em meu córtex cerebral.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Beijos: Sem Tabus ou Preconceitos





Lembro da época em que a probabilidade de um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo em horário nobre ser visto como o fim do mundo. O triste é que isso pode se enquadrar tanto em 2010 quanto 2018, já que algumas pessoas continuam tendo essa visão, infelizmente. Mas a diferença entre essas duas datas, separados por oito anos, é o fato de que o "temido" beijo já aconteceu em horário nobre e mais de uma vez. Não tantas quanto eu gostaria, mas ainda chegaremos lá. 

Acontece que, diferente do que rolou em Amor à Vida ( 2013 - 2014), quando a Rede Globo exibiu  o seu primeiro "beijo gay" - lembrando que, em 2011, Amor e Revolução, novela do SBT saiu na frente - e protestos foram feitas por toda internet, as tramas que se seguiram receberam meio que um "cartão verde" e incluiram em suas histórias ao menos um par de personagens gays. Em Família (2014), Babilônia (2015), Império (2014-2015), O Outro Lado do Paraíso (2017 - 2018), são alguns exemplos dessas novelas do horário nobre que exibiram ao menos um beijo.